quarta-feira, 4 de maio de 2011

SE NÓS BRASILEIROS QUERÍAMOS SER IGUAIS AOS AMERICANOS... CONSEGUIMOS

Mais um texto do meu amigo Professor Leandro que escreveu logo após a tragédia de Realengo.
Comentem!!!

SE NÓS BRASILEIROS QUERÍAMOS SER IGUAIS AOS AMERICANOS... CONSEGUIMOS 

Diz a ciência que nós descendemos do Homo sapiens-sapiens (do grego: homo = homem / sapiens= sapiência = inteligência, duplicado o termo, temos “inteligência moderna”).

Assistindo ao atentado que ocorreu na manhã de 07de abril de 2011 no bairro de Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde um jovem de 23 anos invadiu uma escola pública assassinou 11 crianças e deixou outras 18 feridas – relembrando aos brasileiros o caso de Columbine-EUA, onde os estudantes Eric Harris (18 anos) e Dylan Klebold (17 anos) entraram no Instituto Columbine com metralhadoras assassinaram 13 pessoas, feriram outras 25 e depois se mataram em 1999 – eu me pergunto, será que existe evolução humana? O homem é evoluído?

Wellington Menezes de Oliveira, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, entrou no colégio – que está em semana de comemorações internas – nessa manhã se passando por palestrante e portando uma mochila, dois revólveres – um calibre 38 e um calibre 32 –munição e um dispositivo denominado speed – que serve para recarregar armas rapidamente – invadiu as salas de aula do 1º e 2º andar e atirou contra os alunos. Um menino que ficou ferido conseguiu fugir e já na rua, avisou alguns policiais que estavam fazendo uma blitz pela região, os soldados então foram até a escola e ao encontrar Wellington começaram a trocar tiros. O rapaz foi baleado na perna ao tentar subir para o outro andar, e sem ter como se proteger, se suicidou com um tiro na cabeça.

Foi encontrada junto ao corpo de Wellington uma carta, onde ele escrevera sua trajetória de vida, ideologias, problemas pessoais e o maléfico desfecho que daria nesse dia. Na carta o rapaz dizia que era filho adotivo – órfão da mãe que morrera há três meses –, morava sozinho, pois não aguentava o padrasto, era um rapaz solitário, sem muitos amigos, que gostava de mexer no computador, seguia – supostamente – a doutrina islâmica, sofrera bullying quando era aluno do colégio, portador do vírus HIV e que por todos esses problemas cometeria tal ato para se vingar.

Caro leitor, esse que vos escreve, também é filho de criação – pego recém-nascido na maternidade – apesar de não seguir adequadamente, nasceu e cresceu no meio católico, foi batizado e comungado –, de certa forma sofria bullying quando estudante por ter sido um aluno participativo e de boas notas, gosta de tecnologia, e não por isso sai cometendo monstruosidades.
O que leva um homem a cometer tal ato? Qual a justificativa que se dá para entendermos tamanha brutalidade?

Uma pessoa que está revoltada com qualquer coisa, pega um revólver que seja, e sai atirando pra tudo quanto é lado e quando acaba as balas ou foge, ou se entrega, ou deixa uma bala pra se matar. O Wellington não, ele estava com tudo planejado, basta ver que ao entrar nas salas ele mandava as crianças se ajoelharem e virarem para a parede e mirava para matar (isso são formas de assassinatos cometidos pelos nazistas na Segunda Guerra), além da parafernália que carregava.

Como assassinou um número maior de meninas – foram 10 meninas e 1 menino – tem-se suspeita de que ele teria feito isso por alguma desilusão amorosa, ou por ter sofrido o bullying de suas ex-colegas. Mas qualquer coisa que ele tenha passado ou ainda passa, NÃO justifica a tragédia.

Tenho 22 anos, ainda não sou casado, nem pai, mas tenho cinco sobrinhos e sou professor de História nos Ensinos Fundamental II e Ensino Médio, ou seja, lido com crianças todos os dias, fico revoltado com tamanha crueldade e imagino a dor que os pais e colegas dessas pobres vítimas estão passando. Provavelmente as aulas serão suspensas, os alunos terão acompanhamento psicológico, mas infelizmente, por mais psicologia que exista no mundo, jamais se esquecerão do que viram dentro de suas salas de aula.

Bem amigo vou terminando por aqui e deixo mais uma vez minha indagação cruel... O homem é mesmo evoluído? Podem vir religiosos, cientistas, médicos, antropólogos, socialistas, filósofos e psicólogos me dizerem que acima de tudo o Wellington era HUMANO, perdoem-me todos, mas ele era tudo, menos humano nem animal – pois na natureza, o bicho mata por sobrevivência, o homem por crueldade – matar crianças então, seres que pela lógica são puros em todos os sentidos. Não, realmente o homem não é e ainda vai demorar MUITO para evoluir.

(Leandro Rodolfo Meyer – Licenciado em História pela UNIBAN, Aluno da Pós-Graduação em História, Sociedade e Cultura pela PUC-SP e Professor do Ensino Fundamental II e Médio da Rede Privada).

SERÁ QUE ELE MORREU MESMO?


      Boa noite galera. Segue artigo abaixo do amigo e professor de história Leandro Rodolfo Meyer sobre a morte de Osama Bin Laden. 
   Não esqueçam de comentar.


SERÁ QUE ELE MORREU MESMO?

Segunda-Feira, 02 de Maio de 2011 lá pelas tantas da noite, a Rede Globo de Televisão, entra ao vivo com o seu famoso plantão e aquela musiquinha tenebrosa e anuncia que os Estados Unidos da América tinham matado o nº 1 da Lista do FBI, o terrorista Osama Bin Laden. 

Em pronunciamento oficial direto da Casa Branca, o presidente Barack Obama fez o discurso onde disse que num ataque rápido, um pequeno grupo do exército americano sitiado no Paquistão invadiu a mansão em que Osama estava escondido na cidade de Abbottabad ao norte do país – após um longo período de quase um ano de coleta de informações –e depois de 40 minutos de tiroteio, ao dar voz de prisão ao terrorista, o mesmo não se rendeu e foi executado com um tiro na cabeça. Em menos de 24 horas da morte de Bin Laden, seu corpo foi jogado no mar – contrariando as leis religiosas islâmicas, que pregam que o corpo tem que descansar enterrado – para evitar que seu túmulo se tornasse lugar de peregrinação, porém foi feito um exame de DNA antes para comprovar que se tratava mesmo do terrorista.

Usāmah Bin Muhammad bin 'Awaed bin Lādin(Riade, 10 de março de 1957Abbottabad,1 de maio de 2011, supostamente) era um dos filhos do xeque Mohammed bin 'Awaed bin Lādin – um importante empresário iemenita do ramo da construção civil – que migrou para a Arábia Saudita antes da Primeira Guerra Mundial e fez da família Bin Laden a segunda mais rica do país, atrás apenas da Família Real. Osama entrou no meio político, após a invasão de Saddam Hussein – ex-presidente ditador do Iraque de 19792003, quando foi preso, julgado e enforcado pelos EUA –ao Kuwait, em 1991durante a Guerra do Golfopara anexar territórios e lucrar com o petróleo da região, fazendo com que a Família Real local aliada a Família Real arábicapedissem ajuda aos EUA, que também lutavam na guerra ao lado deles para expulsar Hussein e seus soldados do país, não sendo atendidos. Osama Bin Laden – então dono de redes petrolíferas e membro da Monarquia Saudita – se ofereceu para combater o ditador, não sendo aceito, fez com que ele se exilasse no Sudão e de lá migrasse para o Afeganistão, aliando-se aos Talibãs – grupo fundamentalista criado em 1994 que defende o Estado Teocrático, ou seja, o comando de um país pelo Governo junto com a Religião – elegendo a Monarquia Saudita e os EUA como seus inimigos número 1 e fundando a Al-Qaeda –organização fundamentalista internacional. A partir daí, Bin Laden e seu grupo extremista provocaram diversos atentados terroristas: em 1993 lançaram um carro-bomba no World Trade Center; em 1995 cometeram atentados às Embaixadas Americanas no Quênia e Tanzânia; em 2000 cometeram um atentado ao porta-aviõesamericano US COLE no Golfo Pérsico; e no dia 11 de Setembro de 2001 os atentados, lançando dois aviões sequestrados por membros da Al-Qaeda as torres gêmeas do World Trade Center – centro financeiro americano situado em Nova Iorque –e outro ao Pentágono – Departamento de Defesa dos EUA em Washington D.C. – matando aproximadamente 3.000 pessoas, entre civis e militares, mortes que só não foram maiores porque ocorreu de manhã (entre 8:46 – 10:28do horário de Brasília), quando o centro financeiro e econômico norte-americano estava abrindo. Um quarto avião sequestrado, era para ser lançado à Casa Branca, porém os passageiros se rebelaram e derrubaram o avião no meio do deserto americano.

Caro leitor, pergunto a você que está lendo este artigo, será que essa notícia não seria apenas sensacionalismo norte-americano, para garantir a reeleição de Obama, que ocorre no ano que vem? Pois pensem comigo, um país que gasta bilhões de dólares, soldados, propagandas e 10 anos de buscas atrás de um foragido internacional, chega, mata, e joga o corpo no mar, sem tirar ao menos uma foto, vídeo, ou seja, lá o que? Sim, vocês vão me indagar, fizeram DNA! Mas quem comprova que esse exame não pode ter sido arranjado pelo governo do tio Sam? Há 66 anos, em 1945 durante a Segunda Guerra, os mesmos americanos disseram que pegariam Hitler vivo ou morto, o que aconteceu? O líder nazista se suicidou e mandou queimar seu corpo junto com o da sua esposa Eva Braun.Ele preferiu se matar a ir parar nas mãos dos inimigos capitalistas. Há 48 anos, em 1963 o então presidente democrata John FitzgeraldKennedy, foi assassinado com dois tiros – um no pescoço, que também atingiu o Governador do TexasJohn Connally, e um fatal na cabeça –enquanto fazia um desfile em carro aberto pela Dealey Plazaem Dallas-Texaspara lançar sua candidatura à reeleição que ocorreria no ano seguinte, pelo fuzileiro-naval Lee Harvey Oswald de 24 anos.Os americanos queriam tirar a pele do assassino, o que aconteceu? O rapaz se suicidou dois dias depois. Então meu amigo leitor, fica a pergunta: Será que ele está mesmo morto? Talvez o homem sim, mas a ideologia não. E para finalizar, esse fato verdade ou não, só irá aumentar a ira dos terroristas da Al-Qaeda que usam da Jihad – Guerra Santa – como meio para purificar o mundo da cultura e política capitalista norte-americana.

(Leandro Rodolfo Meyer – Licenciado em História pela UNIBAN, Aluno da Pós-Graduação em História, Sociedade e Cultura pela PUC-SP e Professor do Ensino Fundamental II e Médio da Rede Privada).

domingo, 1 de maio de 2011

Os finlandeses querem que os filhos sejam professores

Entrevista a Jouni Välijärvi, investigador em Educação na Finlândia

01.05.2011 - 12:51 Por Catarina Gomes
A Finlândia surge sistematicamente no topo dos estudos PISA, em que tri-anualmente a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) examina as capacidades dos alunos de 15 anos em Ciência, Matemática e Leitura. O investigador finlandês Jouni Välijärvi surgiu numa sala apinhada de professores portugueses, num encontro organizado pelo Ministério da Educação na quarta-feira, em Lisboa, no papel de mestre a quem pedem que ensine "como se faz". No fundo, queriam saber o que é a Finlândia tem de especial? Välijärvi, director do Instituto Finlandês para a Investigação em Educação, na Universidade de Jyväskylä, explica que muito está na base, no ensino primário, onde um professor motivado e bem preparado acompanha os alunos durante seis anos.

Defende que um dos segredos do sucesso finlandês é a qualidade do ensino primário. Por que é que os professores da primária têm tanta popularidade?

Tem muito a ver com a nossa história. A Finlândia só é independente há 100 anos e os professores primários eram colocados por todo o país para espalhar a identidade nacional. É umas razões que explicam uma popularidade tão alta. Ser professor primário é tão prestigiado como ser médico ou advogado: os pais querem que os filhos sejam professores primários e, quando perguntam aos miúdos que acabaram o secundário que carreira querem seguir, a profissão surge nos dois primeiros lugares.

E muitos dos que têm essa ambição não a conseguem alcançar, porque é muito difícil entrar para o curso.

A popularidade estende-se aos professores do secundário?

Depende das áreas. No secundário, muitas vezes ir para professor não é uma primeira escolha, é um recurso, e isso tem reflexos na motivação dos professores e na aprendizagem.

Por que é que ser professor primário é tão apelativo?

Uma das coisas mais importantes é a autonomia, em que cada professor organiza o trabalho como entende, por isso a questão da avaliação é muito sensível. As aulas estão muito fechadas sobre si mesmas, o que é uma força do sistema mas também uma fraqueza. Mas o facto é que os pais confiam nos professores e nas escolas.

Na Finlândia, o ensino primário prolonga-se por seis anos, as crianças ficam durante este período com o mesmo professor. Isso é importante?

Sim, é a base de tudo. Costuma ser um professor que trabalha com eles ao longo dos seis anos, mas há escolas que dividem os anos por dois professores e pode haver outros professores que ajudam nalgumas matérias, por exemplo, em Matemática ou Desporto. Fica ao critério da escola.

Os poucos chumbos que existem são na primária...

Analisando os alunos do 9.º ano, constata-se que só 2,6 por cento chumbaram e a grande maioria foi na primária. É mais eficaz reter um aluno um ano no início do que este ter que repetir um ano mais tarde, porque é uma altura em que estão a ser dadas as bases. Os professores finlandeses têm expectativas muito altas em termos académicos, incluindo os primários, mais até do que noutros países nórdicos. Por exemplo, na Dinamarca o ensino está mais centrado no bem-estar e felicidade das crianças do que nos resultados académicos. O modelo finlandês mistura os dois factores, preocupa-se com a felicidade e com a parte cognitiva, o que se traduz na aquisição de certos níveis na Escrita, Leitura e Matemática, algo que também já é importante na pré-primária.

O que faz com que um professor seja bom?

Perguntámos isso a alunos e concluímos que é quando sentem que percebe do tema que ensina e também, e este aspecto é interessante, quando sentem que se interessa por eles e está disposto a ter conversas que lhes dizem algo e que não têm necessariamente a ver com a cadeira que lecciona.

Questões como a sexualidade?

Sim, mas também quando o professor os ajuda a escolher o caminho que vão seguir, que está disposto a discutir com eles o porquê das suas escolhas.

As escolas finlandesas têm turmas pequenas. Este poderá ser outro factor de sucesso?

São pequenas e os professores defendem que devem ser ainda mais pequenas. Eu sou céptico em relação à utilidade de reduzir as turmas. Actualmente, na primária, em média, temos 21 alunos por turma, no secundário 19. Eu acho que não é possível chegar a um número óptimo, que a dimensão das turmas deve depender dos alunos, do que se ensina. Até porque ter turmas mais pequenas significa ter mais professores e isso implica aumentar gastos. Penso que o dinheiro pode ser usado para criar mais apoios de acordo com o contexto de cada escola: há escolas em que 15 por cento são imigrantes.

Uma das conclusões da OCDE é a de que pagar bem a professores resulta em melhores resultados, porque aumenta a sua motivação.Até certo nível. O importante são as condições de trabalho como um todo, o salário é um sinal. O mais importante é os professores sentirem que, quando têm dificuldades, não estão sozinhos, o que não é o caso em muitos países.

A Finlândia é um dos países onde se passa menos tempo na escola.

Quando se está na escola está-se concentrado na escola, quando se sai vai-se fazer outras coisas, são tempos perfeitamente separados. Na Coreia [outro país bem classificado no PISA], os alunos levantam-se às 6h00 e voltam a casa às 21h00, e ainda têm que fazer trabalhos de casa. Para estes jovens, a escola e a educação são tudo na vida. Os finlandeses, entre tempo na escola e trabalhos de casa, passam um total de 30 horas por semana, face a 50 horas da Coreia.

Moral da história?

A forma como os países conseguem bons resultados é completamente diferente. Esse é o reverso da medalha destes estudos internacionais que incentivam a imitação. Os países podem aprender uns com os outros, mas tem que se ter muito cuidado em transplantar modelos.

70 livros de metal encontrados em caverna na Jordânia

28.04.11 | Atualizado 28.04.11 - 17h29 | Por BBC News - Tradução: Passado Vivo - Adaptação: Paulo Poian

70 livros de metal encontrados em caverna na Jordânia

Seria o maior achado, depois dos Manuscritos do Mar Morto?


Para os estudiosos da fé, cultura e da história, seria um tesouro precioso demais. Uma antiga coleção de 70 livros pequenos, com páginas de chumbo amarrados por arame, pode desvendar alguns dos segredos dos primórdios do cristianismo. Os acadêmicos estão divididos quanto a sua autenticidade, mas dizem que se verificou serem tão fundamentais quanto a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em 1947.

Nas páginas, não muito maiores que um cartão de crédito, há imagens, símbolos e palavras que parecem se referir ao Messias (Jesus Cristo) e, possivelmente, até mesmo a crucificação e ressurreição. Somando-se à intriga, muitos deles estão selados, levando alguns acadêmicos a especular se não são a coleção perdida de códices mencionados no livro bíblico do Apocalipse.

Os livros foram descobertos há cinco anos numa caverna em uma parte remota da Jordânia, uma região conhecida como o lugar que os cristãos se refugiaram após a queda de Jerusalém em 70 d.C. Documentos importantes do mesmo período já foram encontrados lá. Testes iniciais de metalurgia indicam que alguns poderiam datar do primeiro século d.C. Esta estimativa é baseada na forma de corrosão que tem acontecido, o que especialistas acreditam ser impossível conseguir artificialmente. Se a datação for confirmada, a coleção estaria entre os primeiros documentos cristãos, antecedendo aos escritos de São Paulo.

Dra Margaret Barker, ex-presidente da Sociedade de Estudos do Velho Testamento, confirmou que "o Apocalipse fala de um livro selado que se abria somente pelo Messias. Outros textos da época falam de livros selados de sabedoria e de uma tradição secreta transmitida por Jesus aos seus discípulos mais próximos. Esse é o contexto para essa descoberta", comentou. "Assim que eu vi isso, fiquei estarrecida", disse ela. "Me pareceu obviamente uma imagem cristã. Há uma cruz em primeiro plano e, por trás dela, parece ser o túmulo (de Jesus), um pequeno edifício com uma abertura e atrás as paredes da cidade", discorreu Margaret. "Há paredes retratadas também em outras páginas desses livros e certamente se referem a Jerusalém. É uma crucificação cristã que tem lugar fora dos muros da cidade", completou.

A perspectiva de que possam conter relatos contemporâneos dos últimos anos da vida de Jesus tem animado os estudiosos - apesar do entusiasmo estar temperado pelo fato de que peritos já foram enganados por falsificações sofisticadas. David Elkington, um pesquisador britânico da história religiosa antiga e arqueologia, um dos poucos a ter examinado os livros, disse que eles poderiam ser "a grande descoberta da história cristã. É um pensamento de tirar o fôlego, que esses objetos poderiam ter sido guardados pelos santos nos primórdios da Igreja", disse ele. 
crédito: David Elkington/Rex Features
A caverna na Jordânia, onde os artefatos foram descobertos
A caverna na Jordânia, onde possivelmente os artefatos foram descobertos
 Mas os mistérios sobre as suas páginas antigas não são o único enigma dos livros. Hoje, o paradeiro deles também é um mistério. Após a sua descoberta por um beduíno da Jordânia, o tesouro foi posteriormente adquirido por um beduíno israelense, que diz tê-los contrabandeado ilegalmente através da fronteira com Israel, onde permaneceriam. A equipe inglesa que lidera o trabalho sobre a descoberta receia que alguns dos escritos possam parar no mercado negro, ou pior, acabarem destruidos.

No entanto, o governo jordaniano está agora trabalhando para repatriá-los e garantir sua volta. Philip Davies, professor emérito de estudos bíblicos da Universidade de Sheffield, disse que há fortes evidências de que tenham origem cristã, já que em suas placas há o modelo de um mapa da imagem da cidade santa de Jerusalém. "A possibilidade de origem hebraica-cristã é certamente sugerida pela imagem e, em caso afirmativo, esses códices são susceptíveis de trazer luz nova e dramática para a nossa compreensão de um período muito significativo, mas até agora pouco conhecido da história", disse Davies.

Elkington, que está liderando os esforços britânicos para tê-los de volta para a Jordânia, disse: "É vital que a coleção possa ser recuperada intacta e segura, nas melhores condições possíveis, tanto para o benefício dos seus proprietários como para uma potencial audiência internacional". Veja as imagens clicando aqui.

Mar Morto

Os Manuscritos do Mar Morto estão entre os achados arqueológicos mais importantes da era moderna e foram descobertos em uma caverna por um pastor beduíno, na Cisjordânia. Os pergaminhos são compostos de 30.000 fragmentos separados, tornando-se 900 manuscritos de textos bíblicos e escritos religiosos da época de Jesus. Frágeis fragmentos são objeto de intenso estudo há mais de meio século por uma equipe internacional de peritos que ainda estão tentando compreender o significado de cerca de 30% dos textos, que não estão incluídos na Bíblia ou em quaisquer outros escritos religiosos anteriores.

Incluem a cópia mais antiga conhecida dos Dez Mandamentos, um livro quase completo de Isaías e muitos dos Salmos. Alguns dos textos foram danificados pelas bem-intencionadas tentativas de restauração feitas desde os anos 50, como o uso de fita crepe, papel de arroz e cola de acrílico.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Lições de História


Fonte: Café Historia


Livro reúne textos inéditos de historiadores do século XIX e traz contribuição significativa para o campo da teoria da história

Do alvoroço desencadeado pelo atrevimento de Napoleão até a invenção do telégrafo sem fio, o século XIX foi marcado, por assim dizer, por um turbilhão de acontecimentos marcantes que mexeram não apenas com a vida do cidadão comum, que de uma hora para a outra se viu perdido nas malhas impositivas do tempo histórico, mas também com a rotina, com os hábitos, com o poder e com a estabilidade dos governantes do mundo, que foram obrigados a reagir, não raro com violento rigor, contra o empoderamento do indivíduo médio e das novas forças sociais coletivas. Nada mais lógico, portanto, que a história tenha esperado por este século (o seu século, como se diz) para se constituir como uma especialidade disciplinar. Foram esses acontecimentos impactes que convocaram nomes como Jules Michelet ou de Leopold von Ranke para dotar o tempo de um sentido lógico, de organizar as experiências limítrofes da realidade dentro de um quadro lúcido e recheado de razão. Hoje, mais de duzentos anos após o início daquele longo século, podemos desfrutar pela primeira vez das impressões de muitos dos intérpretes daquele tempo, dos pais fundadores da nossa história, da história moderna. E o principal “culpado” por esta tarefa hercúlea é o historiador e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Jurandir Malerba, que acaba de lançar o livro “Lições de História: O Caminho da Ciência no Longo Século XIX.”

O livro, publicado pela Editora FGV e pela EdiPUCRS, reúne textos inéditos em língua portuguesa de grande historiadores do século XIX, acompanhados de introduções elaboradas por historiadores brasileiros. Ao lado de Malerba nessa verdadeira obra coletiva, estão nomes como François Dosse (o único estrangeiro no grupo), Lilia Moritz Schwarcz, Leandro Konder, José Carlos Reis, Julio Bentivoglio e muitos outros importantes pensadores que enriquecem ainda mais o olhar do leitor para obras já tão preciosas e que falam por si mesmas. Foram traduzidos textos de Jules Michelet, Karl Marx, Ernest Lavisse, Louis Bourdeau, dentre outros. São textos deliciosos, inspiradores para historiadores já calejados ou para os calouros na matéria.

Em uma conversa com o Café História, Jurandir Malerba, que é membro de nossa rede, explicou quando perguntado se o trabalho era fruto de um esforço coletivo:

- Sim, é fruto de um trabalho coletivo, mas surgiu da minha percepção, originada em mais de 15 anos de prática docente na área de teoria, da praticamente ausência de traduções desses clássicos em língua portuguesa. Há cerca de dez anos eu vinha desenhando esse projeto, selecionando material. Quando este primeiro volume estava desenhado, em 2006, fiz um "boneco" de como eu idealizava cada capítulo com o Carlyle. Fiz a tradução comentada e o texto introdutório dele e fui enviando a alguns colegas, convidando-os a participar do projeto. O texto, com exceção do capítulo de Dosse, completo estava pronto no final de 2008.

Dentre as preciosidades de “Lições de História”, destaca-se textos como o de Pierre Daunou, que faz uma irretocável abertura do curso de história do Collège de France em 13 de abril de 1819. Neste discurso, Daunou explicita os meandros da ciência histórica. Revela sem dó nem piedade as fragilidades deste conhecimento, porém, um conhecimento extremamente perspicaz e que justamente por ter uma morfologia problemática e desafiadora conseguiu aos poucos competir com o status até então inigualável das ciências físicas e naturais. Impossível seria não se entregar ao estudo apaixonado da história após uma aula inaugural dessas. Encanto igual são os textos de nomes como Michelet ou Chateaubriand, apenas para citar alguns. É preciso ler para crer.

Mas porque textos de tamanha importância para o estudo historiográfico não contavam ainda com uma tradução para a língua portuguesa? O Café História perguntou a Malerba. O historiador da PUCRS respondeu:

- Tirando o texto de Michelet, que havia sido publicado em português pela Companhia das Letras em 1989 (bicentenário de Revolução Francesa) e há muito esgotado, todos os outros são inéditos - e te diria que todos eles importantíssimos. A explicação de faltarem em português talvez resida na desimportância que a área de teoria teve para os historiadores ao longo das décadas. Temos alguns importantes manuais de metodologia, mas pouco interessou aos nossos historiadores a reflexão teórica forte - quadro que começa a mudar nos últimos anos. Nossos estudantes vinham se formando ouvindo falar de Ranke, Gervinus, Acton, Macaulay, Fustel, Langlois, Seignobos a partir de manuais, leitura de segunda mão, sem ler os originais. Isso é fundamental. Nesse sentido, acabamos de criar uma coleção na EdiPUCRS, a Monumenta, no mesmo espírito do Lições de História (traduções comentadas e introduzidas por grandes especialistas brasileiros) onde publicaremos grandes obras da historiografia moderna. A Monumenta abre com as Considerações sobre as causas das grandezas dos romanos e sua decadência, de Montesquieu (edição crítica de Renato Moscateli), lançado agora na Feira do Livro de Porto Alegre. Já em preparação o Ensaio sobre os costumes, de Voltaire, e a História das mulheres na revolução, de Michelet.

“Lições de História” já pode ser encontrado nas livrarias e ele é de fácil identificação. Pois o livro é uma edição impecável não só no conteúdo como também parte gráfica. São 489 páginas encadernadas em capa dura, simulando um antigo livro, clássico, inconfundível em qualquer prateleira. Prepare o café e folheie estas páginas não mais esquecidas do século XIX. A viagem vale a pena.

Por Bruno Leal

Informações técnicas

Lançado em outubro de 2010 | 489 páginas | Editora FGV e EdiPUCRS

Outros lançamentos que também indicamos

Descobrimentos de Capistrano: A História do Brasil “a grandes traços e largas malhas”, de Daniel Mesquita.

O livro, publicado pela editora Apicuri e pela Editora PUC-RJ, traz uma análise detalhada da produção historiográfica do consagrado historiador cearense João Capistrano de Abreu (1853-1927). Um livro que pode ser visto como uma referência tanto para a descoberta de textos de Capistrano como também para o historiador que está em busca da compreensão do próprio ofício de historiador.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Bullying não pode ser julgado com exagero


Problema parece estar na moda porque hoje é mais debatido. Mas não há motivo para torná-lo a causa de todos os males

Renata Losso, especial para o iG São Paulo | 19/04/2011 15:02


Embora o bullying escolar exista há tanto tempo quanto as instituições de ensino, o assunto só ganhou manchetes e “virou moda” há pouco tempo. A disseminação mais ampla das informações deveria colaborar para melhorar a identificação e o combate ao problema, mas também pode tomar outro rumo. Para Maria Irene Maluf, especialista em psicopedagogia e em educação especial, hoje corre-se o risco do bullying ser entendido de forma generalizada. Como consequência, pode surgir uma insensibilidade ao que ele realmente é. 

Em vídeo, Wellington justificou os assassinatos na escola de Realengo com o bullying sofrido na escola
Mas o que é o bullying, afinal? Segundo o psiquiatra Gustavo Teixeira, autor do “Manual Antibullying” (Editora BestSeller), o bullying é definido por atos de agressão física, verbal ou moral que ocorrem de maneira repetitiva dentro de uma relação desigual de poder, física ou emocional. Ou seja: o grandalhão da escola que procura encrenca com o menorzinho diariamente por ele usar óculos, por exemplo. Mas mesmo a definição teórica não esclarece a linha tênue que separa a violência gratuita da brincadeira inocente, quando colegas lidam com suas diferenças observando-as com humor, sem agressividade. Esta linha é determinada pela existência do sofrimento.

Para o psiquiatra e psicoterapeuta Içami Tiba, autor de “Adolescentes: Quem Ama Educa” (Integrare Editora), se não existe sofrimento, não é bullying. O especialista concorda que o problema tomou proporções exageradas: “Antigamente não era bullying colocar um apelido numa pessoa por causa de uma característica física”. Embora Tiba afirme que o problema atingiu uma intensidade maior, o exagero do diagnóstico costuma ocorrer por constatação dos pais. “Mas é preciso delimitar o bullying muito claramente, para não perdermos a cabeça”, diz.

O estopim da informação


Foto: Reprodução
Casey é agredido e reage: vídeo transformou o garoto australiano em herói da web
Na opinião de Maria Irene, o problema do bullying se agravou de forma gritante com a chegada da internet e dos celulares. As possibilidades abertas por estes meios criaram o cyberbullying, com novas formas de agressão mais difíceis de serem constatadas e controladas pela escola ou pelos pais. Por outro lado, hoje em dia é possível se falar mais abertamente sobre o problema. “As crianças ficaram mais seguras para reclamar, e as questões que envolvem o bullying acabam ultrapassando o muro da escola”. As plataformas digitais também aumentaram a visibilidade dos problemas: o caso do menino australiano Casey Heynes, por exemplo, foi parar no Youtube e se tornou discussão no mundo inteiro. Tornou-se mais fácil, portanto, a criança mostrar o que sente e o que acontece aos pais ou à escola.

Assim como ficou mais fácil, também, usar o bullying como justificativa. É o caso da tragédia em Realengo. O atirador Wellington Menezes de Oliveira afirmou, em vídeos divulgados pela polícia, que planejava se vingar das pessoas que o desrespeitavam, referindo-se às escolas como o principal local deste tipo de acontecimento. “Sofrer bullying foi um fator de estresse importante neste caso”, observa Gustavo Teixeira. “Mas não justifica a atrocidade”.

Frequência, intensidade e sofrimento

De acordo com o terapeuta e psicólogo familiar João David Cavallazzi Mendonça, a intensidade da violência é o fator mais importante a ser levado em conta para diagnosticar o bullying. “Não existe uma regra: uma criança pode se incomodar muito por ser chamada de ‘quatro olhos’, enquanto outra pode nem ligar”, diz. Mas subestimar o problema e dizer ao filho para não dar importância àquilo não é a melhor saída: algumas crianças podem fingir que não se incomodam, mas guardam o problema e desenvolvem traumas sérios.

E como diferenciar o bullying de uma brincadeira natural? Uma gozação entre iguais, em que um zomba do outro, é bem diferente de uma ofensa. Para Maria Irene, o bullying ultrapassa esse estágio e leva ao ponto em que as crianças não são mais amigas. “A vítima não se sente em condições de revidar”, diz. Mudanças de comportamento ou alteração no rendimento escolar são pistas comuns de que algo mais grave pode estar acontecendo.

As habilidades sociais da criança e sua capacidade de se cuidar sozinha também contam muito. “Hoje existe uma superproteção sem limites por parte dos pais, e as crianças ficam sempre precisando de alguém que tome conta delas”, completa a psicopedagoga.

Os pais devem oferecer suporte e oportunidades para os filhos se desenvolverem, tornando-se cada vez mais independentes. Mas precisam estar atentos para sair em defesa da criança caso ela esteja passando por algum tipo de sofrimento capaz de afetar sua dignidade e integridade.

Simplificação e exagero

Os pais devem ter um olhar mais cuidadoso sobre seus filhos e, principalmente, contínuo. “Senão, qualquer pisada que a criança leva no pé sem querer vira bullying. É preciso colocar as coisas nas devidas proporções”, diz Maria Irene. Para Gustavo, o que define o bullying é a ocorrência sistemática de violência, não acidentes ou inocentes manifestações de identificação das diferenças entre as crianças.

A popularização e o debate sobre o bullying, ainda que compreendido de forma simplificada, podem levar a um melhor entendimento do problema: “O fato de estar ‘na moda’ contribui para crianças, adolescentes, pais e educadores passarem a estranhar esse tipo de atitude, e não naturalizá-la”, acredita João David. Por outro lado, tomar atitudes a respeito sem a reflexão necessária pode levar a um desgaste do conceito. “Se exagerarem muito por muito tempo, vai acabar virando um 'feijão com arroz'”, diz Maria Irene. E virar a página do problema achando que é só uma bobagem é, de longe, a pior solução.