"Transmito abaixo e-mail recebido da Professora Ana de Pellegrin da Universidade Federal de Goais, esclarecendo sobre o que está sendo divulgado na mídia sobre a greve das Universidades Federais."
Date: Sun, 15 Jul 2012 22:42:38 -0300
From: adpellegrin@uol.com.br
To: grupo_paideia-l@listas.unicamp.br
CC:
br_histedbr@grupos.com.br
Subject:
Re: [Paideia] Sobre a greve nas federais - pedido de apoio
caros e caras
colegas dos grupos paidéia e histedbr,
muitos de nós fomos formados por
estes dois grupos de pesquisa, nos titulamos e prestamos concursos públicos.
realizamos o sonho de entrar em uma universidade pública como professores. no
momento, enfrentamos uma greve longa e vigorosa, um movimento que abarca quase
100% dos servidores docentes e técnico-administrativos das universidades e
institutos federais.
esta mensagem é um pedido de apoio para uma
deliberada campanha de "contrainformação". não temos como enfrentar no mesmo
nível as emissoras de tv, rádio, os semanários impressos tais como a revista
veja e outros. agora, mais que nunca, precisamos que as pessoas saibam o que se
passa. é preciso que as pessoas saibam, por exemplo, que não houve precipitação
dos professores ao entrarem em greve, uma vez que prazos e acordos foram
sucessivamente descumpridos pelo governo. precisamos explicar que o governo não
nos concedeu 45% de aumento salarial. precisamos explicar porque a lógica da
proposta do governo que deu origem ao movimento grevista é perversa e, no
limite, jogará os professores uns contra os outros no dia a dia acadêmico (muito
mais que já o fazem as agências de fomento). como emblema desta trágica
situação, sugiro a todos que assistam ou reassistam o filme "o corte" (costa
gavras). imaginemos o absurdo da cena: professores se matando por uma vaga de
titular ou por um edital de financiamento.
voltando ao pedido de apoio,
apresento de forma muito resumida as novidades da última semana:
após o
descumprimento de um acordo anteriormente firmado, após o cancelamento de
reuniões de negociação por parte do governo, após as tentativas de conversa por
parte dos docentes e técnico-administrativos e após as pressões do movimento
grevista que não se curvou num período desfavorável como é o mês de julho,
finalmente o governo apresentou uma "proposta".
"proposta" vai entre
aspas porque é importante que todos saibam como isso se deu. na reunião do
último dia 13, em que estiveram presentes representantes do CNG/andes, proifes e
sinasefe e representantes do governo (sérgio mendonça, amaro lins, dulce
tristão, entre outros), o que o governo trouxe à mesa foram tabelas de
remuneração, relativas aos docentes na ativa, tanto da carreira de magistério
superior, quanto de educação básica e tecnológica. não havia nenhum documento
por escrito, contendo uma proposta, como anunciado. diante da solicitação dos
representantes dos trabalhadores, a reunião foi interrompida por 20 minutos e os
representantes do governo voltaram com a "proposta" por escrito.
estamos
agora em um momento bastante delicado, analisando a "proposta" que configura-se
como um apressado rascunho, repleto de armadilhas e imprecisões. para que tenham
uma ideia, são inúmeras as passagens em que se lê "a partir de normas a serem
expedidas pelo MEC", "a partir de diretrizes a serem estabelecidaspelo MEC"...
ou seja, normas e diretrizes que não sabemos quando, como e a partir de quais
critérios serão formuladas.
no entanto, há coisas bastante claras, tal
como o percentual de vagas destinado a professores titulares (20%), aqueles que
de fato poderão chegar ao topo da carreira e talvez receber o aumento de 45% que
vem sendo veiculado pela mídia. um outro dado bastante preciso a destacar é o
aumento da carga horária mínima em sala de aula para 12 horas (que fere a
própria LDB). por fim, a "proposta" nada diz sobre os servidores
aposentados.
o documento ainda faz referência a um "certificado de
conhecimento tecnológico" a ser emitido por um suposto conselho permanente de
certificação, que representaria um recurso para que os professores ebtt pudessem
acelerar a progressão na carreira.
registre-se também o fato de que o
governo não apresentou nada na mesa para os servidores técnico-administrativos e
não concordou com a solicitação feita pelo sinasefe para que um representante da
fasubra participasse da reunião como observador.
como mencionei, estamos
em momento de avaliação (em todos os coletivos de docentes do país) e de
formulação de contrapropostas. mas não podemos descuidar do que entendemos como
"contrainformação". estamos atuando localmente neste sentido, mas também
tentando o maior alcance possível via listas de e-mails de grupos, redes sociais
etc.
para obter informação sobre o histórico e a origem da greve, sugiro
a "visita" ao blog do comando local de greve da ufg e a leitura do comunicado
10:
http://www.greveufg.blogspot.com.br/
anexo ainda a
"proposta" do governo em pdf para quem tiver curiosidade.
em tempo:
lembro que os representantes do MEC já deixaram bastante claro, nas
conversações, que "concordam com muita coisa que os docentes reivindicam", mas
que não é o MEC que dá a palavra final. a decisão é do MPOG ou da "alta cúpula
do governo". serão aceitos apenas pequenos ajustes. há uma crise internacional
em curso.
abraços esperançosos,
Ana de Pellegrin
professora da
universidade federal de goiás
(formada pelo programa de pós-graduação da
FE)
quarta-feira, 18 de julho de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Karl Marx vira estampa de cartão de crédito
Ironia aconteceu na cidade de Chemnitz, na Alemanha, onde o banco Sparkasse Chemnitz criou cartões da Mastercard com o busto do teórico
O filósofo alemão Karl Marx, fundador das bases teóricas do comunismo, quem diria, virou estampa de um grande símbolo do capitalismo, o cartão de crédito.
A imagem foi escolhida em uma votação popular pela internet, e teve na disputa 10 importantes instalações da cidade. A mais votada estamparia o cartão de crédito, da bandeira Mastercard.
O busto de Marx venceu com 35% dos votos, à frente de castelos da Idade Média, e do escudo de um time de futebol da região.
Marx não é o único líder comunista a virar personagem de propaganda. O argentino Che Guevara, um dos principais nomes da Revolução Cubana, na década de 50, hoje estampa desde biquinis até camisetas, e sua icônica imagem, feita pelo fotógrafo Alberto Korda em 1960, chegou a ser usada - não sem grande polêmica - em uma apresentação da Mercedes-Benz no início deste ano.
Brasileiro é eleito melhor professor do ano nos EUA
13 de julho de 2012 • 12h52 • atualizado às 13h39
Foto: Reprodução
O brasileiro Alexandre Lopes, 43, foi eleito o melhor professor do ano no Estado da Flórida, nos Estados Unidos, por seu trabalho
com crianças com necessidades especiais. Lopes dá aulas no pré-primário
na cidade de Carol, próximo a Miami. As informações são do jornal Miami Herald.
Lopes venceu o prêmio na noite dessa quinta-feira, 12, em cerimônia realizada em Orlando. Ele recebeu US$ 10 mil e uma viagem para Nova York. De acordo com o jornal, ao receber a premiação o brasileiro declarou que "não havia palavras para descrever o tamanho do amor pela profissão".
Ele lidera um projeto chamado "Learning Experience: Alternative Program" (A Experiência de Aprender - Programa Alternativo, em tradução livre), conhecido como LEAP. Em seu método, ele utiliza danças e músicas para se comunicar com as crianças. Grande parte de seus alunos são autistas ou não conseguem falar.
Alexandre concorreu com mais de 180 mil professores da Flórida para ganhar o prêmio. Atualmente, o brasileiro faz doutorado em Educação Especial na Universidade Internacional da Flórida.
O internauta Flávio Duarte, do Rio de Janeiro (RJ), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.
Fonte: TERRA
Lopes venceu o prêmio na noite dessa quinta-feira, 12, em cerimônia realizada em Orlando. Ele recebeu US$ 10 mil e uma viagem para Nova York. De acordo com o jornal, ao receber a premiação o brasileiro declarou que "não havia palavras para descrever o tamanho do amor pela profissão".
Ele lidera um projeto chamado "Learning Experience: Alternative Program" (A Experiência de Aprender - Programa Alternativo, em tradução livre), conhecido como LEAP. Em seu método, ele utiliza danças e músicas para se comunicar com as crianças. Grande parte de seus alunos são autistas ou não conseguem falar.
Alexandre concorreu com mais de 180 mil professores da Flórida para ganhar o prêmio. Atualmente, o brasileiro faz doutorado em Educação Especial na Universidade Internacional da Flórida.
O internauta Flávio Duarte, do Rio de Janeiro (RJ), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.
Fonte: TERRA
domingo, 27 de maio de 2012
Resposta de uma professora à revista VEJA
"Quando as pessoas temem o governo, isso é tirania. Quando o governo teme as pessoas, isso é liberdade"
Alô, Professores!!!
Resposta à revista VEJA ... PARABÉNS !
Abaixo estou enviando uma cópia da carta escrita por uma professora que trabalha no Colégio
Estadual Mesquita, à revista Veja.
Vale a pena ler.
Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima na revista Veja, “Aula Cronometrada”.
(Thomas Jefferson)
Alô, Professores!!!
Resposta à revista VEJA ... PARABÉNS !
Abaixo estou enviando uma cópia da carta escrita por uma professora que trabalha no Colégio
Estadual Mesquita, à revista Veja.
Vale a pena ler.
Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima na revista Veja, “Aula Cronometrada”.
É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador.
Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticar as falhas da
educação.
Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira.
Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital?
Em que pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida?
Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras.
Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas.
Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.
Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e
avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores, e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”.
Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou, o que é ainda pior, envolvidos nas drogas.
Sem disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.
Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos?
Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria.
Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida.
Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais.
Para quê o estudo?
Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens?
Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores?
E, nas aulas, havia respeito, amor pela Pátria..
Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler,
escrever e fazer contas com fluência.
Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série.
Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão.
E tínhamos motivação para isso.
Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a "passeios interessantes", planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero.
E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom.
Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como
provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;
Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados.
Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho.
Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um
lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40h semanais. E a saúde?
Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um
lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40h semanais. E a saúde?
É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor
as aulas.
Plano de saúde? Muito precário.
Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão!
Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente
gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.
Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que se esforcem
em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos “, “velhos”
entre outras coisas.
Como isso é motivante...e temos ainda que ter forças para motivar.
Mas, ainda não é tão grave.
Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos.
Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.
Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país
sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite.
E acho que esse grau já ultrapassou.
Chega de passar alunos que não merecem.
Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime!
Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples.
Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça.
Ela é cruel e eles já são adultos.
Por que os alunos do Japão estudam?
Por que há cronômetros?
Os professores são mais capacitados?
Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina.
E é isso que precisamos e não de cronômetros.
Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se.
Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras
esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em
melhores condições e em maior quantidade..
Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos se sentarem.
E é essa a nossa realidade!
E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno
não seja destruído por ele mesmo.
Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!
Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente.
Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de
serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO.
Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.
Vamos
começar uma corrente nacional que pelo menos dê aos professores
respaldo legal quando um aluno o xinga, o agride... chega de ECA que não
resolve nada, chega de Conselho Tutelar que só vai a favor da criança e
adolescente (capazes às vezes de matar, roubar e coisas piores), chega
de salário baixo, todas as profissões e pessoas passam por professores,
deve ser a carreira mais bem paga do país, afinal os deputados que
ganham 67% de aumento tiveram professores, até mesmo os "alfabetizados
funcionais".
Pelo amor de Deus somos uma classe com força!!!
Somos politizados, somos cultos, não precisamos fechar escolas, fazer greves,
vamos apresentar um projeto de Lei que nos ampare e valorize a
profissão.
Vanessa Storrer - professora da rede Municipal de Curitiba!
terça-feira, 22 de maio de 2012
Salário de professor é 59% ao de outras áreas
Salário de professor é 59% ao de outras áreas
Diferença salarial do profissional da rede estadual chega a 182% se comparada a um engenheiro civil Rodrigo Machadorodrigo.machado@diariosp.com.br
Estudos realizados com base no Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que a média salarial dos professores da educação básica no Brasil equivale hoje a 59% da de outros profissionais com nível superior como engenheiro civil e médico, que são os melhores remunerados, segundo o ranking. Há 10 anos a diferença era de 49%.
Em São Paulo, o abismo do vencimento salarial do profissional da rede estadual chega a 182%, se comparado ao de um engenheiro civil (R$ 5.620). Para o professor da Prefeitura, a diferença cai para 116%.
Apesar do avanço, o censo revela que as carreiras que levam ao magistério seguem sendo as de pior desempenho. Pagar melhor aos professores, no entanto, é uma política que, além de cara, tende a trazer retorno apenas a longo prazo em termos de qualidade, segundo o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Roberto Franklin de Leão. Ele afirma que a baixa atratividade é reflexo da falta de investimento, plano de carreira e incentivos para atrair novos profissionais. “O salário é fundamental, mas não o suficiente para melhorar a qualidade do ensino”, argumenta.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) elevou o salário-base da categoria para R$ 1.988,33, valor superior ao piso nacional atual (R$ 1.451) para 40 horas/aula semanais. Segundo a Secretaria de Estado da Educação, um plano de carreira está sendo desenvolvido para mudar o atual cenário. Na rede municipal, o piso inicial de um professor (também 40 horas) era de R$ 1.215 em 2005. Hoje é de R$ 2.600. Segundo a Secretaria de Educação, os servidores contam com um plano de carreira por tempo e títulos (especialização).
Os professores do Distrito Federal recebem os maiores salários da categoria, pois o governo federal banca parte dos gastos na área. “O que falta é incentivo de todas as formas em São Paulo”, afirma Claudio Fonseca, presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de SP.
A presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Maria Iszabel Azevedo Noronha, não foi encontrada até as 21h desta segunda-feira para comentar os dados.
No outro extremo/ O estudo aponta ainda que nenhuma outra área é tão vantajosa, em termos financeiros, quanto a medicina. Os médicos têm os maiores salários e a menor taxa de desemprego entre profissionais com nível superior. A média salarial é de R$ 7.150.
Apesar de algumas carreiras terem renda e desemprego maiores do que outras, as taxas são sempre melhores do que as da população sem diploma universitário. Para o professor da FGV, Kaizô Beltrão, existem também atividades em que há pessoas com diplomas de nível superior atuando em profissões que requerem do trabalhador só o nível médio.
Plano de carreira e baixo salário são velhos problemas
Os baixos salários e a falta de plano de carreira eficiente não são novidades para os profissionais da educação básica e fundamental de São Paulo, mas também de outras regiões do país.
O professor Carlos Alberto Pires, dá aula na rede estadual há sete anos, mas aos poucos migra para outra área de atuação.
“Essa é uma realidade que atormenta meu dia a dia. Eu dou aula em uma escola na Rodovia Raposo Tavares e levo bastante tempo para chegar. O jeito foi pedir para reduzir as minhas aulas para eu possa me dedicar a outra atividade”, disse ele, que ganha cerca de R$ 9,12 por aula dada de biologia.
Para a professora Claudina Noronha, de uma escola na Vila Sônia, na Zona Oeste de São Paulo, a falta de uma boa remuneração faz com que a qualidade das aulas fiquem comprometidas. “Eu acho que a realidade tem de mudar o mais urgente possível”, desabafa.
domingo, 6 de maio de 2012
Túpac Amaru, o filho do sol
No fim do século 18, Túpac Amaru liderou a maior
rebelião indígena da América, que incendiou o coração dos Andes e inspirou
revolucionários como Bolívar e Che Guevara
Alessandro
Meiguins | 01/11/2004 00h00
O mundo
amanheceu ao contrário naquele dia em Tinta, um pequeno povoado no sul do
vice-reino do Peru. Acostumada a ser explorada e maltratada pelas tropas do
mandachuva local, o espanhol Antonio Arriaga, a população mal conseguia
acreditar que era ele quem dava seus últimos suspiros, pendurado pelo pescoço
na ponta de uma corda, em plena praça central do vilarejo. Ao seu lado,
comandando a execução, estava José Gabriel Túpac Amaru. Vestido para a guerra,
com o tradicional ornamento inca em forma de um sol dourado no peito, convocava
aos berros índios, mestiços e negros para lutar contra a dominação espanhola.
Naquele 4 de novembro de 1780, com o corpo de Arriaga balançando atrás de si,
Túpac Amaru, descendente da linhagem imperial dos incas, declarou que não
existiam mais impostos e que os escravos estavam livres. “Foi o início de uma
rebelião que se espalharia pelos Andes e chegaria até os altiplanos
bolivianos”, diz Julio Vera del Carpio, historiador da Casa da Cultura Peruana,
em São Paulo. Quase 300 anos depois de os espanhóis desembarcarem na América, o
filho do sol estava de volta.
Os
espanhóis desembarcaram na América em 1492 ávidos por encontrar riquezas que
financiassem seus navios, suas armas e sua nobreza. Quando chegaram ao Peru, em
1527, e descobriram as minas de prata da região, não perderam tempo. Reuniram
um exército sob o comando de Francisco Pizarro e trataram de eliminar todo
aquele que pudesse afastá-los de seu objetivo. Por “todo aquele” entenda-se os
incas, que habitavam desde as cordilheiras no Peru até os altiplanos
bolivianos. Em 1532, os espanhóis iniciaram uma conquista rápida e implacável.
Com a vantagem das armas de fogo e do duro aço espanhol, submeteram os
guerreiros indígenas e suas lanças de cobre. Pizarro conquistou Cusco, a capital
inca, e capturou e executou Atahualpa, seu imperador. Em seguida nomeou um novo
ocupante para o trono: Manco Inca Yupanqui. Pouco tempo depois, no entanto,
Manco Inca percebeu que estava sendo usado pelos espanhóis e fugiu de Cusco,
iniciando uma revolta. A aventura durou pouco: os espanhóis mataram Manco Inca
e seus sucessores. O último foco de resistência foi derrotado em 1572, com o
enforcamento do derradeiro imperador inca, o primeiro Túpac Amaru (foram vários
“Túpacs”). Foi o ponto final na civilização inca na América do Sul, “que ocupou
um território maior que o do Império Romano”, diz Antonio Núnez Jiménez, no
livro Nuestra América. A partir desse momento, seus mais de 3 milhões de
habitantes tinham um novo senhor.
A
primeira coisa que os novos donos do pedaço fizeram foi estabelecer a “mita” –
o trabalho forçado nas minas de prata e mercúrio. “Os índios eram convocados
pelos espanhóis, arrastados a pé através dos vales montanhosos e muitos morriam
exauridos no caminho”, diz Carpio. “Quando chegavam, tinham um breve descanso
e, um ou dois dias depois, entravam nos estreitos buracos na terra em busca dos
metais. Poucos sobreviviam por muito tempo às longas jornadas de trabalho, que
chegavam a uma semana inteira dentro das minas, sem direito a alimentos ou
descanso.” A Igreja teve papel especial nessa história. Extremamente
religiosos, os incas foram levados a crer que o rei da Espanha substituíra seu
imperador no lugar reservado ao representante divino na Terra. Servir ao rei
era como trabalhar para o próprio Deus-sol e ao morrer nas minas de prata
estavam salvando suas almas do inferno.
Segundo
Carpio, nas províncias os corregedores (espécie de prefeitos) tinham toda a
liberdade para matar quantos índios fossem necessários para que a extração de
prata continuasse a todo vapor. No entanto, em 200 anos de dominação, os
espanhóis não eliminaram completamente as lideranças indígenas. Pelo contrário,
parte do controle sobre a população era feita com o consentimento e apoio
desses líderes – chamados de curacas, descendentes da nobreza inca. Convertidos
ao catolicismo, muitos, inclusive, recrutavam membros das tribos para o
trabalho forçado nas minas.
Descendente
do primeiro Túpac, José Gabriel Túpac Amaru era um dos líderes que discordavam
dessa prática. Curaca de Pampamarca, Tungasuca e Surimana, morava na província
de Tinta, a 100 quilômetros de Cusco. Túpac herdou de sua família 70 pares de
mulas, com as quais transportava mercadorias através dos Andes. No meio daquela
região montanhosa, ter um par de mulas era como ter um caminhão. Túpac era
próspero, respeitado e bem relacionado. Insatisfeito com o que via na região,
defendia junto às autoridades espanholas uma reforma no sistema colonial. Aos
tribunais de Lima encaminhara um pedido oficial em que pediu a eliminação do
cargo do corregedor, substituindo-o por prefeitos eleitos nas províncias e
povoados, e o fim da mita. Nada conseguiu. Aos poucos, passou a espalhar a
idéia de rebelião. Em uma carta aberta à população, dizia que os corregedores
faziam do sangue dos peruanos “sustento para sua vaidade”. Conseguiu a simpatia
e apoio de alguns curacas, que se dispuseram a lutar.
Tinta foi
apenas o primeiro alvo da revolta. Após matar Arriaga, Túpac e seus homens
percorreram povoados e vilas da região, prendendo e enforcando as autoridades
espanholas que encontravam. Ficavam com seu dinheiro e armas e distribuíam seus
bens entre a população. Túpac nomeou chefes locais e conseguiu que milhares de
pessoas aderissem à sua tropa. Aterrorizado com a rapidez com que a revolta se
espalhava, o bispo de Cusco, Juan Manuel de Moscoso y Peralta, enviou 1 500
soldados para eliminar o rebelde. Em 18 de novembro, no povoado de Sangarara,
entre Cusco e Tinta, Túpac enfrentou o exército do rei com 6 mil homens sob seu
comando. Em menos de um dia o inca cercou os soldados do bispo. Depois de
intensos combates, o último grupo de espanhóis se refugiou na igreja do
povoado, esperando que o indígena poupasse o local sagrado. Túpac não quis
saber: invadiu a igreja e matou todos. Em represália, Moscoso y Peralta
excomungou Túpac Amaru e seus seguidores. Essa era a maior desonra que alguém
poderia sofrer na época. Tanto para católicos quanto para indígenas, a
excomunhão significava que a pessoa estava distante de Deus. O efeito da
punição logo se fez sentir. “Por conta disso, numerosos adeptos da causa
tupamarista abandonaram suas fileiras ou deixaram de nelas ingressar”, afirma
Kátia Baggio, historiadora da Universidade Federal de Minas Gerais.
Túpac se
preparou para invadir Cusco. A estratégia era tomar Puno, que ficava entre
Cusco e Potosí, para depois avançar sobre a capital. No entanto, após os
eventos em Sangarara, o vice-rei do Peru, Agustín de Jáuregui, resolveu pedir
auxílio à Espanha. Se as tropas do rei Carlos III chegassem ao Peru, a rebelião
não teria chance, por isso o inca adiantou seus planos. Cusco era uma
verdadeira fortaleza. Cercada de grandes muralhas de pedra, a antiga capital do
império inca tinha uma rígida planificação urbana em forma quadriculada, cujo
desenho lembrava a forma de um puma. As tropas da cidade partiram em direção
aos rebeldes, para conter sua chegada, enquanto mais soldados preparavam a
defesa. Muitos curacas católicos, junto com suas tribos, se mostraram fiéis à
Igreja e ao rei da Espanha, e ajudaram os europeus a montar uma estratégia para
conter os rebeldes. O clima de agitação e expectativa diante da iminente
invasão levou a cidade ao caos.
Em 28 de
dezembro de 1780, Túpac chegou ao limite norte de Cusco, uma região chamada
Cerro Picchu. Seguiam com ele mais de 40 mil homens, embora poucos estivessem
armados e preparados para a luta. Seus planos contavam com um ataque vindo do
nordeste, por Diego Cristóbal, irmão de Túpac, e com a adesão da população
indígena local. Em 2 de janeiro de 1781 os combates começaram. Por dias as
tropas do vice-rei, cerca de 12 mil homens, conseguiram manter os invasores
afastados da cidade, tempo suficiente para receberem um reforço de 8 mil
homens, seis canhões e 3 mil fuzis vindos de Lima. Os rebeldes, ao contrário,
viram seus planos falharem. Diego Cristóbal não conseguiu ultrapassar as
defesas espanholas do rio Urubamba e recuou. O policiamento ostensivo nas ruas
de Cusco reprimiu qualquer tentativa local de sublevação. Em 8 de janeiro,
Túpac fez uma tentativa desesperada e atacou a cidade com força total. A
violenta batalha durou cerca de sete horas, mas as defesas se mantiveram
praticamente intactas e os realistas tiveram poucas baixas.
Túpac
desistiu do cerco e se aquartelou em Tinta. Em março, com o reforço de 17 mil soldados
espanhóis, as tropas do vice-rei resolveram sufocar de vez a rebelião. Em 5 de
abril, os espanhóis infligiram uma gigantesca derrota às tropas tupamaristas.
Depois de um dia de combates, ofereceram perdão àqueles que abandonassem Túpac
e se unissem a eles. No dia seguinte, cercaram o exército rebelde e conseguiram
outra grande vitória, graças a informações entregues por traidores do exército
inca. Os rebeldes se dispersaram e fugiram da cidade, mas Túpac e seus
colaboradores mais próximos foram presos em um emboscada preparada por seus
próprios partidários. Apenas uma pequena parte do exército rebelde conseguiu se
refugiar nas montanhas. Na mesma semana, para comemorar sua vitória, os
espanhóis enforcaram 70 curacas rebeldes na mesma praça onde o corregedor
Arriaga perecera.
Túpac e
sua família foram levados a Cusco, onde foram torturados para que dessem
informações sobre os demais líderes rebeldes, como Diego Cristóbal, que
conseguira fugir. “Diz a tradição que, sem ter como se comunicar com seus companheiros,
Túpac escreveu uma carta com seu próprio sangue, em um pedaço de suas vestes,
convocando todos para a luta, mas a mensagem acabou interceptada pelos
espanhóis”, diz o antropólogo Rodrigo Montoya, da Universidade San Marcos, em
Lima. Após 35 dias de torturas, em 18 de maio de 1871 Tupac foi levado para
receber sua sentença em praça pública, no centro de Cusco: esquartejamento.
Antes que a pena fosse aplicada, no entanto, Túpac assistiu ao enforcamento de
seus homens rebeldes. Depois, dois filhos seus, Hipólito e Fernando, junto com
Micaela, sua mulher, tiveram suas línguas cortadas, antes de serem executados.
Enfim chegou sua vez. “Seus braços e pernas foram atados a quatro cavalos, que
foram incitados a correrem cada um para uma direção”, diz Carpio. “Depois do
insucesso de várias tentativas, os espanhóis desistiram do esquartejamento e
cortaram a cabeça do inca.”
A
rebelião no Alto Peru, no entanto, não acabou aí. Prosseguiu em duas frentes.
Sob a liderança de Túpac Catari, cujo verdadeiro nome era Julián Apasa, e que
adotou o apelido em alusão a Túpac Amaru e Tomás Catari, outro líder
revolucionário morto pelos espanhóis na Bolívia, a revolta chegou a La Paz.
Catari cercou a cidade em março de 1781, com mais de 10 mil homens, e fez um
violento ataque em que mais de 10 mil morreram – sendo 8 mil indígenas. Após
109 dias de sítio as tropas realistas furaram o cerco. Catari voltou a atacar
em agosto, mas foi derrotado e preso. Em 31 de novembro de 1781 foi executado.
A segunda
onda de resistência se deu na região montanhosa em torno de Cusco, onde Diego
Cristóbal continuou comandando o então reduzido exército de Túpac. Em maio de
1781, ele chegou a sitiar Puno, mas não a invadiu. Focos de conflito
continuaram até 1782, quando Diego Cristóbal assinou um tratado de paz com os
espanhóis. Apesar disso, depois de uma ameaça de levante em 1783, Diego e 120
supostos envolvidos acabaram executados.
Nos anos
que se seguiram, os colonizadores exerceram uma forte repressão à cultura
incaica e qualquer ornamento da nobreza inca foi proibido. “Falar o nome de
Túpac Amaru em público virou um insulto aos espanhóis, um ato de rebeldia. A
perseguição, no entanto, só aumentou o mito que se criou em torno dele e fez
com que seus lendários feitos influenciassem gerações de revolucionários
americanos, de Bolívar a Che Guevara”, diz Montoya. O poeta chileno Pablo
Neruda (1904-1973), em um verso de 1970, recordou Túpac “Como um sol vencido/
uma luz desaparecida.../ Túpac germina na terra americana”.
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