História e Luz

"A única revolução possível é dentro de nós". Mahatma Gandhi

terça-feira, 25 de junho de 2013

Amala e Kamala, as meninas-lobo

Amala e Kamala, as meninas-lobo
Não é por acaso que Rudyard Kipling tenha escrito o "Livro das Selvas", que conta a história do menino lobo Mogli. Kipling nasceu em Bombaim, Índia, onde o caso de meninos lobos eram abundantes, tanto que em 1920 descobriram duas crianças, Amala e Kamala, vivendo no meio de uma família de lobos.

A primeira tinha um ano e meio e morreu um ano mais tarde. Kamala, de oito anos de idade, viveu até 1929. As duas meninas não tinham nada de humano e seu comportamento era exatamente semelhante à dos irmãos lobos.


Elas eram incapazes de permanecer em pé, somente engatinhavam, apoiando-se sobre os joelhos e cotovelos para os pequenos trajetos e sobre as mãos e os pés para os trajetos mais longos.
Só comiam carne crua ou podre, comiam e bebiam como os animais, lançando a cabeça para a frente e lambendo os líquidos. Na instituição onde foram acolhidas, passavam o dia acabrunhado e prostrado num canto onde o sol não alcançava; eram ativas e faziam muito barulho durante a noite, procurando fugir e uivando como lobos. Não sabiam chorar nem rir.

Kamala viveu oito anos na instituição que a acolheu, humanizando-se lentamente. Foram necessários oito anos para que a menina aprendesse a andar e pouco antes de morrer tinha um vocabulário de somente 50 palavras. Atitudes afetivas foram aparecendo aos poucos.

Ela chorou pela primeira vez por ocasião da morte da irmã Amala e a partir daí começou a se apegar, mesmo que de forma lenta, às pessoas que cuidavam dela.

Kamala era rudimentarmente inteligente e isto permitiu-lhe aprender a comunicação por gestos, inicialmente, e depois por palavras de um vocabulário básico, aprendendo a executar pedidos simples.
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Tenentismo e a Coluna Prestes


Tenentismo

Foi um movimento político-militar que, pela luta armada, pretendia reformar a política. Lutavam pela moralização pública e o fim da corrupção eleitoral, pela economia nacional e não estrangeira e uma educação pública gratuita e obrigatória para todos os brasileiros.
Os Dezoito do Forte: - Trezentos militares que trabalhavam no forte de Copacabana, liderados pelos tenentes, revoltaram-se e tentaram impedir que o então eleito Artur Bernardes tomasse posse da presidência em 1922.
Tropas fiéis ao governo cercaram o forte e a maiorias dos tenentes se entregaram. Porém, 17 deles e um civil saíram para as ruas num combate corpo a corpo. Desse confronto, apenas os tenentes Eduardo Gomes e Siqueira Campos escaparam com vida.
Revoltas de 1924 (ocorridas em SP e RG do sul): - Liderados pelo general Isidoro Dias, os revoltosos (tenentes que lutavam contra as oligarquias políticas) ocuparam a capital paulista durante 23 dias. Os combates provocaram 500 mortes e milhares de fugitivos que deixaram a cidade que havia sido bombardeada.
A Coluna Prestes
Mil homens fugidos dos conflitos em São Paulo juntaram-se a outros grupos que haviam lutado no sul do país e resolveram se dirigir ao interior do Brasil e buscar apoio da população. As tropas passaram a ser chamada de Coluna Prestes, pois eram liderados por Luis Carlos Prestes e Miguel Costa.

O governo perseguia constantemente as tropas lideradas por Prestes. Durante dois anos a coluna percorreu 24 mil quilômetros e não obteve apoio da população brasileira. Então a coluna se dispersou em 1926, com Prestes indo para a Bolívia e posteriormente para a União Soviética, voltando ao Brasil mais tarde na tentativa de um levante Comunista.
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segunda-feira, 24 de junho de 2013

O manuscrito de Voynich contém uma mensagem genuína, alega pesquisador


Publicado por n3m3 em 24/06/2013 | 22 Comentários
Você conhece o Manuscrito de Voynich?
Como descrito na wikipedia:
Manuscrito Voynich é um misterioso livro ilustrado com um conteúdo incompreensível. Imagina-se que tenha sido escrito há aproximadamente 600 anos por um autor desconhecido que se utilizou de um sistema de escrita não-identificado e uma linguagem ininteligível. É conhecido como “o livro que ninguém consegue ler”.1
Ao longo de sua existência registrada, o manuscrito Voynich tem sido objeto de intenso estudo por parte de muitos criptógrafos amadores e profissionais, incluindo alguns dos maiores decifradores norte-americanos e britânicos ao tempo da Segunda Guerra Mundial (todos os quais falharam em decifrar uma única palavra). Esta sucessão de falhas transformou o manuscrito Voynich num tema famoso da história da criptografia, mas também contribuiu para lhe atribuir a teoria de ser simplesmente um embuste muito bem tramado – uma sequência arbitrária de símbolos…
O manuscrito foi até mesmo investigado por uma equipe de proeminente ‘quebradores de códigos’ da Segunda Guerra Mundial, os quais já tinham decifrado complexas mensagens enviadas por seus inimigos, mas no caso do manuscrito, fracassaram.
Embora muitos tenham chegado à conclusão de que o manuscrito seja uma fraude, um recente estudo apresentado na publicação Plos One, sugere que o manuscrito possa na verdade ser uma mensagem genuína.
Cientistas dizem ter encontrado padrões linguísticos reais dentro do texto.
O manuscrito, que foi datado do início dos anos 1400, desapareceu dos olhos públicos até 1912, quando um negociante de livros antigos chamado Wilfrid Voynich o adquiriu, bem como outros livros de publicações de segunda mão na Itália.
 
Marcelo Montemurro, um físico teórico da Universidade de Machester, no Reino Unido, despendeu muitos anos analisando os padrões linguísticos do manuscrito e espera descobrir seu mistério.  Ele acredita que sua nova pesquisa está um passo mais próximo de fazê-lo.
Em entrevista com a BBC News ele disse: “O texto é único, não há trabalhos similares e todas as tentativas de decifrar quaisquer possíveis mensagens no texto falharam.  Não é fácil descartar o manuscrito como uma simples balbuciação sem sentido, pois ele mostra uma estrutura [linguística] significante.”
O Dr. Montemurro e um colega usaram um método estatístico computarizado para a análise do texto; uma abordagem que tem funcionado com outras linguagens.
Ele focaram nos padrões de como as palavras foram distribuídas, a fim de extraírem palavras que continham sentido.
“Existe uma evidência substancial de que palavras que contêm sentido tendem a ocorrer em padrões agrupados, onde são requeridas como parte de uma informação específica que está sendo escrita“, explica Montemurro. “Em longos trechos do texto, as palavras deixam uma assinatura estatística sobre seu uso.  Quando o tópico muda, outras palavras são necessárias.  As redes semânticas que obtemos claramente mostram que as palavras relacionadas compartilham similaridades nas estruturas.  Isto também acontece a certo grau em linguagens reais.”
O pesquisador acredita ser improvável que estas características tenham sido simplesmente ‘incorporadas’ no texto para tornar uma farsa mais realística, pois a maior parte do conhecimento acadêmico requerido dessas estruturas não existiam na época que o manuscrito Voynich foi criado.
Embora ele tenha encontrado padrões, o significado das palavras ainda é um mistério.  O fato de que por um século brilhantes mentes analisaram o trabalho e não obtiveram sucesso em decifrá-lo faz com que alguns acreditem que a única explicação para isso é que se trate de uma farsa.
Gordon Rugg, um matemático da Universidade de Keele, no Reino Unido, é tal acadêmico.  Ele até mesmo produziu seu próprio código complexo deliberadamente similar ao “voynichense”, a fim de mostrar como um texto pode parecer ter padrões significativos, embora se trate de uma farsa.
Ele diz que a nova descoberta não descarta a teoria de que seja uma farsa.
“As descobertas não são novidades.  Tem sido aceito por décadas que as propriedades estatísticas do voynichense são similares, mas não idênticas às das linguagens reais.  Eu não acho que haja muita chance para que o manuscrito de Voynich seja simplesmente uma linguagem não identificada, porque há muitas características em seu texto que são muito diferentes de qualquer coisa encontrada em qualquer linguagem real.”
Rugg não acredita que ela contenha um código desconhecido, como propõem outra teoria: “Algumas características do texto do manuscrito, tais como a forma que ele consiste em palavras separadas, são inconsistentes com a maioria dos métodos de codificação de texto.  Os códigos modernos quase que invariavelmente evitam ter palavras separadas, pois estas são uma forma fácil de decifrar a maioria dos sistemas de codificação“.
Craig Bauer, autor de Secret History: The Story of Cryptology (História Secreta: A História da Criptologia – trad. livre n3m3), diz que um código poderia “estar escondendo qualquer coisa. Ele poderia solucionar um grande crime, revelar um tesouro escondido que vale milhões ou, no caso do manuscrito de Voynich, reescrever a história da ciência“, diz ele.
A opinião do Dr. Bauer quanto ao manuscrito ser verdadeiro, ou não, muitas vezes oscila, ele admite.  Apesar de recentemente ele ter acreditado que o manuscrito era uma farsa, a nova análise fez com que ele mudasse de opinião.  Mas apesar disso, ele ainda acredita que seja uma linguagem fabricada e não uma que evoluiu naturalmente, ou ela “teria sido decifrada há anos“.
“Porém, eu ainda acho que esta é uma questão aberta e eu posso mudar de idéia algumas vezes antes que uma prova seja obtida de um jeito ou de outro“, diz ele.
Mas o Dr. Montemurro acredita firmemente e argumenta que a hipótese da farsa não pode possivelmente explicar os padrões de semântica que ele descobriu.
Ele está ciente que sua análise deixa muitas questões ainda não respondidas, tais como: o manuscrito é uma versão codificada de uma linguagem conhecida ou uma linguagem totalmente inventada?
“Após este estudo, qualquer novo apoio à hipótese da farsa deveria se referir ao surgimento desta estrutura sofisticada explicitamente.  Até agora, isto não ocorreu.  Deve haver uma história por detrás dele, a qual poderemos nunca saber“, adicionou o Dr. Montemurro.
n3m3
Fonte das informações: www.bbc.co.uk


Leia mais: http://ovnihoje.com/2013/06/24/o-manuscrito-de-voynich-contem-uma-mensagem-genuina-alega-pesquisador/#ixzz2X9Y4wGH2 
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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Filosofia grega para iniciantes

 Filosofia grega para iniciantes
prof 
Argumentos socráticos
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Sócrates (no alto, à direita) adorava discutir qualquer coisa, com qualquer um. Na parte inferior do quadro, a filósofa neoplatônica Hipatia de Alexandria e o pré-socrático Parmênides de Eléia.

Detalhe da Escola de Atenas, pintura de Raffaelo Sanzio 1483/1520). Data: 1511. Roma, Palácio do Vaticano. © Wikimedia Commons.
A Filosofia, entendida como uma reflexão crítica a respeito de tudo o que se relaciona com a existência do homem, nasceu na Grécia Antiga. A palavra "filosofia" é, inclusive, de origem grega e vem de phílos, "amigo", e sophía, "sabedoria".
É costume homenagear Sócrates, filósofo que viveu entre 469 e 399 a.C., chamando os pensadores que o antecederam de filósofos pré-socráticos.
Os pré-socráticos
A Filosofia Grega caracterizou-se, até o advento de Sócrates, pelas idéias a respeito da natureza e pelo desenvolvimento das técnicas de argumentação filosófica. Os primeiros filósofos, devido à preocupação de explicar racionalmente o mundo natural, são também chamados de Filósofos da Natureza ou de físicos (do gregophýsis, "natureza").
Eis uma pequena lista dos pré-socráticos mais importantes: Tales de Mileto (625-547a.C.), Anaxímenes de Mileto (585-525 a.C.), Pitágoras de Samos (570-495 a.C.), Xenófanes de Cólofon (570-475 a.C.), Heráclito de Éfeso (c. 500 a.C.), Parmênides de Eléia (c. 515 a.C.), Empédocles de Acragás (492-432 a.C.) e Demócrito de Abdera(460-370? a.C.).
Sócrates, Platão e Aristóteles
No final do século V a.C. o interesse primordial dos filósofos desviou-se do mundo natural para a compreensão do homem, do seu comportamento e de sua moral.
Sócrates (469-399 a.C.), um dos maiores pensadores de todos os tempos, pretendia nada saber e dizia que todos já possuíam o conhecimento do que era correto dentro de si. Para trazer esse conhecimento à tona ele fazia perguntas bem dirigidas e questionava sistematicamente seus interlocutores afim de que a sabedoria aflorasse. A suprema sabedoria seria, aparentemente, o conhecimento do bem, ou pelo menos o reconhecimento honesto da própria ignorância.
Platão (429-347 a.C.), admirador e discípulo de Sócrates, fundou a Academia de Atenas, famosa escola de Filosofia em que mestre e discípulos viviam em comum, debatendo constantemente os mais variados temas. Ao lado de idéias fundamentalmente teóricas, como a contraposição das aparências à realidade, a crença na existência de uma alma eterna e na vida após a morte, Platão propunha, de forma eminentemente prática, que a cidade ideal deveria ser governada por umrei-filósofo.
Aristóteles (384-322 a.C.) foi o mais importante dos discípulos de Platão. Ao contrário de seu mestre, mais preocupado com questões transcedentais, Aristóteles acreditava que o conhecimento devia ser procurado no mundo material e real. Fundou, para isso, o Liceu de Atenas, escola em que ele e seus discípulos dedicaram suas vidas à discussão filosófica, estudo, ensino e pesquisas em larga escala, abrangendo praticamente todo o conhecimento da época. A lógica, uma das mais importantes disciplinas filosóficas, foi estabelecida por Aristóteles.
As escolas helenísticas
Com a decadência política das cidades gregas e o apogeu dos reinos helenísticos o homem, antes importante para suacidade-estado, tornou-se apenas a minúscula parte de enormes impérios. As principais escolas filosóficas do Período Helenístico passaram então a dar mais atenção à busca da felicidade pessoal e, além da lógica e das tradicionais explicações sobre a natureza do mundo, forneceram a seus adeptos um conjunto de preceitos para ordenar e dirigir a vida.
O ceticismo, em que se destacou Pírron de Élis (365-275 a.C.), preconizava que não é possível o entendimento através dos sentidos humanos e pregava completa indiferença diante de todas as coisas. O epicurismo, desenvolvido por Epicuro(341-270 a.C.), pregava a felicidade humana através do exercício do livre arbítrio e da idéia de que as ações humanas não eram determinadas pelos deuses. O estoicismo, fundado por Zênon de Cítion (333-262 a.C.) e desenvolvido por Crisipo(280-207 a.C.), ensinava que o único bem verdadeiro é a virtude, e o único mal verdeiro, a fraqueza moral; e, ainda, que o prazer consiste em viver unicamente de acordo com a razão, mostrando indiferença e imperturbabilidade diante de tudo o mais.
O estoicimo foi a mais difundida e influente das doutrinas helenísticas. Em Roma, teve adeptos ilustres como Sêneca (4-65d.C.) e o imperador Marco Aurélio (121-180 d.C.).
O neoplatonismo
Desenvolvido por Plotino (205-270 d.C.) no século III d.C., no início da decadência do Império Romano, o neoplatonismo foi a última contribuição do pensamento grego à Filosofia.
Plotino reuniu diversos conceitos imaginados por Platão (429-347 a.C.) e refundiu-os numa doutrina profundamente espiritual e mística. Ensinava que era necessário purificar a alma abandonando o mundo material — manifestação 'inferior' de uma entidade única, absoluta e eterna, o 'Bem' (também chamado de 'Uno') —, para que a alma pudesse ascender e voltar a fazer parte dessa entidade imaterial, acessível apenas através da 'razão pura'.
Finalmente, dois séculos depois que o cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano, sob o Imperador Constantino I (273-337 d.C.), a pressão dos bispos cristãos levou o Imperador Justiniano (482-565 d.C.) a fechar a escola neoplatônica de Atenas, um dos últimos baluartes do pensamento grego em 529 a.C..
O ano de 529 d.C. assinala, conforme a tradição, o fim "físico" da Filosofia Grega. Justiniano, porém, chegou tarde demais: o cristianismo já estava impregnado dos conceitos filosóficos platônicos e neoplatônicos e a quase totalidade da Filosofia Ocidental moderna é, em essência, a própria Filosofia Grega...

Fonte: http://greciantiga.org
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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Jean-Paul Sartre - DOS PRECONCEITOS


DOS PRECONCEITOS

Jean-Paul Sartre
Sartre tornou-se um dos maiores críticos do imperialismo francês, principalmente com relação à Argélia. Seus artigos e livros denunciando as atrocidades e, mais do que isso, procurando inter­pretar o domínio francês, valeram-lhe acerbas críticas. Mas, feliz­mente, sua voz foi ouvida por muitos. No trecho abaixo, extraído do prefácio que Sartre escreveu para um livro de fotografias de Henri Cartier-Bresson, sobre a China, podemos verificar a questão do preconceito contra os povos colonizados. O texto fala por si.
Na origem do pitoresco há a guerra e a repulsa em compreen­der o inimigo: na verdade, nossas luzes sobre a Ásia vieram inicial­mente de missionários irritados e de soldados. Mais tarde chegaram os viajantes — comerciantes e turistas — que são militares frios: o sa­que se denomina "shopping" e as violações são praticadas honrosa­mente nas casas especializadas. Mas a atitude inicial não mudou: mata-se menos frequentemente os indígenas, mas nos desprezam aos montões, o que é a forma civilizada de massacre; experimenta-se o aristocrático prazer de contar as separações. "Corto meus cabelos, ele trança os dele; sirvo-me de um garfo, ele usa palitos; escrevo com uma pena de ganso, ele traça sinais com um pincel; tenho ideias direitas, e as suas são curvas: você observou que ele tem horror ao movimento retilfneo, ele só é feliz se tudo vai obliquamente." Isso se chama o jogo das anomalias: se você encontra uma a mais, se vo­cê descobre uma nova razão para não compreender, dar-lhe-ão, no seu país, um prémio de sensibilidade. Aqueles que recompõem, deste modo, seu semelhante como um mosaico de diferenças irredu­tíveis, não precisa admirar-se, se eles se interrogam, em seguida, como se pode ser chinês.

Criança, eu era vítima do pitoresco: tinha tudo feito para tornar os chineses apavorantes. Falavam-me de ovos podres — eles os ado­ravam —, de homens cerrados entre duas pranchas, de música delica­da e dissonante. No mundo que me envolvia havia coisas e animais que chamavam, dentre todos, chineses: eles eram frágeis e terríveis, fiavam entre os dedos, atacavam por trás, explodiam-se repentina­mente em alaridos ridículos, sombras que deslizavam como peixes ao longo de um vidro de aquário, lanternas apagadas, requintes ina­creditáveis e fúteis, suplicas engenhosas, chapéus sonantes. Havia a alma chinesa, também, da qual me diziam simplesmente que é impe­netrável. "Os orientais, veja-você...". Os negros não me inquieta­vam; ensinaram-me que eram bons cães; com eles, permanecia-se entre mamíferos. Mas o asiático causava-me medo: como estes ca­ranguejos de arrozais que correm entre dois sulcos, como gafanhotos que se precipitam sobre a grande planície e devastam tudo. Somos reis dos peixes, dos leões, dos ratos e dos macacos; o chinês é um artrópode superior, ele reina sobre os artrópodes.

Sartre, Jean-Paul. De uma China a Outra. In: Colonialismo e Neo-colonialismo. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1968, p. 7-8.
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sábado, 30 de março de 2013

Segunda Guerra Mundial: Japão desafia Estados Unidos




Surpreendente ataque à base naval de Pearl Harbor, no Hawaii, sede da frota americana no Pacífico, leva definitivamente os EUA a entrarem na Segunda Guerra Mundial Foto: Getty Images
Surpreendente ataque à base naval de Pearl Harbor, no Hawaii, sede da frota americana no Pacífico, leva definitivamente os EUA a entrarem na Segunda Guerra Mundial
Foto: Getty Images

  • Voltaire Schilling
Até dezembro de 1941, podemos dizer que a Segunda Guerra Mundial era um conflito entre nações europeias. Mas, a partir de então, vai se generalizar pelas extensas regiões da Ásia. O Japão, aliado da Alemanha desde 1937, já estava envolvido com a China. Divididos entre as forças do Koumitang, liderado por Chiang Kai-shek, e do Partido Comunista, de Mao Tse-Tung, os chineses tinham dificuldades em formar uma aliança para combater o invasor.
Isso permitiu aos japoneses ocupar quase que um sexto do território, incluindo as populosas cidades do nordeste do país, como Pequim. Quando a França foi invadida pelos alemães, em junho de 1940, aproveitaram-se da debilidade do velho Império Colonial para apropriar-se de suas colônias. A Indochina francesa foi ocupada.

Internamente, a opinião pública era favorável à manutenção do isolacionismo. Os Estados Unidos não deveriam entrar na guerra. Poderosos movimentos de direita se organizaram a favor da política do não envolvimento. Pode-se dizer que somente Roosevelt e seus assessores sabiam que a participação americana no conflito era inevitável. A coesão nacional em torno do governo surgiu quando os japoneses realizaram o surpreendente ataque à base naval de Pearl Harbor, no Hawaii, sede da frota americana no Pacífico. Assim, o dia 7 de dezembro coloca os Estados Unidos diretamente na guerra.
A expansão japonesa é vista com temeridade pelos Estados Unidos. Roosevelt trata de bloquear de todas as maneiras seu crescimento militar e econômico. Seu primeiro passo foi anular os acordos comerciais que mantinha com o império do Sol Nascente. Inicia o embargo de petróleo e de matérias-primas minerais fundamentais para a indústria de guerra japonesa, além de congelar os créditos que o Japão possuía nos Estados Unidos. No campo diplomático, iniciam-se conversões para obter a evacuação dos nipônicos da China e da Indochina - que fracassaram. O estado de guerra tornava-se latente.
Dois dias depois, Roosevelt lê mensagem de guerra
"O verdadeiro objetivo que buscamos situa-se muito acima e além do feio campo de batalha. Quando recorremos à força, como o fazemos agora, estamos resolvidos a que essa força seja dirigida para o bem último, assim como contra o mal imediato. Nós, americanos, não somos destruidores - somos construtores.
Estamos agora no meio de uma guerra, não de conquistas, não de vingança, mas por um mundo no qual esta nação, e tudo quanto esta nação representa, seja preservado para os nossos filhos. Esperamos eliminar o perigo do Japão, mas isto de pouco nos servirá se, conseguindo-o, verificarmos que o resto do mundo está dominado por Hitler e Mussolini.
Vamos vencer a guerra e vamos conquistar a paz que se seguirá. E nas horas escuras deste dia - e através dos dias sombrios que talvez ainda venham -, saberemos que a vasta maioria dos membros da raça humana está do nosso lado. Muitos deles estão lutando conosco. Todos eles estão orando por nós. Pois, representando nossa causa, representamos também a deles - nossa esperança e sua esperança pela liberdade sob Deus."
A expansão japonesa: Ásia e Oceania (1941 - 1942)
O ataque a Pearl Harbor não foi uma operação isolada do alto comando estratégico japonês, mas parte de uma operação mais vasta, que compreendia ataques simultâneos a colônias inglesas, holandesas e americanas. O objetivo desta ofensiva relâmpago era sedimentar posições defensivas para, posteriormente, travar uma guerra de desgaste com Estados Unidos e Grã-Bretanha. Os japoneses sabiam perfeitamente do extraordinário potencial militar que os EUA poderiam mobilizar. Destruindo a esquadra no Pacífico em um ataque surpresa, esperavam ganhar tempo para fixar-se numa área cujo raio fosse o maior possível.
Em janeiro de 1942, lançam a operação de conquista das Filipinas (EUA) e das Índias Holandesas (Indonésia cai sob seu controle em março de 1942). Outra força-tarefa japonesa ocupa Singapura, na Malásia, em fevereiro do mesmo ano. A cidade de Hong-Kong é ocupada em dezembro, enquanto a Birmânia rende-se em abril.
A ofensiva japonesa lhes propicia o controle sobre 95% dos seringais produtores de látex, 90% do quinino, e 70% da produção de arroz e estanho, assim como petróleo, bauxita e cromo, todos fundamentais para sustentar a máquina de guerra. Isso dava ao Japão uma surpreendente capacidade de resistência quando os Estados Unidos iniciam a contraofensiva no segundo semestre de 1942.
REGIÕES CONQUISTADAS PELO JAPÃO
PAÍSESÁREA (EM KM²)POPULAÇÃO (EM MILHÕES)
Birmânia677.95031
China1.500.000237
Coreia220.73552
Filipinas297.37045
Indonésia1.094.345140
Malásia330.40012
Indochina510.80060
TOTAL4.631.000577

Especial para Terra

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