terça-feira, 28 de junho de 2011

PARTE DA HISTÓRIA QUE AS UNIVERSIDADES IGNORAM!!!

Obras ufológicas históricas e anônimas

 
 
Obras históricas e anônimas, as quais se supõe retratar eventos ufológicos.


Título: Anunciação
1486 - Antônio Crivelli
Pintura rupestre
descoberta na Índia


Pintura rupestre de
aproximadamente 20.000 anos
encontrada na Austrália

Pintura rupestre encontrada
em Fergana, Uzbequistão.
Tem aproximadamente 12.000 anos

Título: A Madona e o menino - Séc. XV
Por Fellippo Lippi

 Título: "Arianna e Bacco"
Tiziano Vecellio (1520-1523)
Pintura franceza Século XII
Ilustração do livro Micromégas de 1752
de Voltaire (1684-1778)

 ilustrações de um livro de Lt. Grey
Pinturas Rupestres da Austrália

Pintura rupestre
Val camonica (Itália)
data de 15.000 anos atrás


Pintura rupestre dos Aborígenes australianos
5.000 anos


 O Batismo de Cristo - Aert De Gelde
1710 - Museu Fitzwilliam - Cambridge

UFO sobrevoando Hamburgo
Alemanha em 4 de novembro de 1697

Título: La Tebaide
Paolo Uccello (1396-1475)

Título: A Crucificação - 1350
Monastério Visoki Decani em Kosovo, Ioguslávia

Tapeçaria do Século XIV
Exposta na França

Tapeçaria do Século XIV
Exposta na França

Esta pintura detalha o evento ocorrido em
7 de agosto de 1566, sobre a torre de Basel, Suíça

Pintura em madeira de autoria desconhecida
achada próximo ao Castelo do Conde Dotremond, Bélgica

Pintura do Século XV
Autor desconhecido

A Ascenção da Virgem - 1490
Autor desconhecido

 Moeda de 1680
França

Estátua de réptil feita pelos Dogons

Objetos encontrados na Colômbia,
 lembram aviões, porém têm 1500 anos

Debatedores cobram diversidade no ensino religioso

Fonte: Camara.gov.br

Pedro França
Marga Janete Ströher (coordenadora diversidade religiosa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - FONAPER)
Marga Stroher: disciplina deve ser optativa.
 
Em audiência pública nesta terça-feira na Comissão de Educação e Cultura, debatedores ressaltaram a necessidade de o ensino religioso na rede pública contemplar a diversidade cultural brasileira. A obrigatoriedade desse tipo de ensino está prevista nos projetos de lei 309/11 e 1021/11, do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP).

O relator dos projetos, deputado Pedro Uczai (PT-SC), destacou a importância da formação de professores na área: "Tem de haver professores formados não na igreja, mas na universidade, para aceitar a diversidade religiosa e cultural, as diferentes teologias e religiões presentes na sociedade. Isso permite respeitar o diverso, o plural, e não só o meu deus, a minha religião, como a única que explica o mundo, a sociedade, a história e a vida."
Marco Feliciano também ressaltou a importância de dar aos professores condições de ensinar a disciplina. O deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF) pediu pressa na votação dos projetos. "Esse tema já está pautado no Supremo Tribunal Federal e os ministros caminham para o fim do ensino religioso", disse.

Críticas

Representantes das mais variadas crenças participaram do debate e manifestaram descontentamento com o sistema atual — que, segundo eles, privilegia o ensino da religião cristã, principalmente a Católica, e trata as demais com preconceito.

O coordenador do Fórum Permanente de Ensino Religioso, Élcio Cechetti, afirmou que o ensino religioso deve ser encarado como qualquer outra disciplina escolar, com base em pressupostos científicos prevendo o estudo, a compreensão e o respeito a todas as crenças.

"Querendo ou não, os alunos precisam de preparo, de conhecimento para lidar com a diversidade, para que não discriminem, não criem mais preconceito do que já existe hoje. Nossa tentativa é trabalhar essa disciplina a partir de um viés de direitos humanos e que consiga acrescentar elementos científicos à vida do educando, para que ele seja cidadão e possa interpretar a realidade com conhecimento", explicou Cechetti.

Proselitismo

A coordenadora de diversidade religiosa da Secretaria de Direitos Humanos, Marga Janete Stroher, alertou para o caráter optativo da disciplina. Mesmo sem proselitismo religioso, ela afirmou que a matrícula dos alunos deve ser facultativa, conforme determina a Constituição.

"A obrigatoriedade é uma coerção. No Estatuto da Criança e do Adolescente, está previsto o direito de escolha; entre as liberdades individuais, está a de escolha religiosa ou não", disse Marga Stroher.

A coordenadora da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, Edna Martins Borges, reconheceu a existência do que chamou de "currículo oculto" nas escolas onde há proselitismo religioso. Ela destacou, no entanto, que a Lei de Diretrizes e Bases é clara ao garantir o respeito à diversidade cultural e religiosa.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Geórgia Moraes/Rádio Câmara
Edição – João Pitella Junior

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Revelado o segredo da Grande Pirâmide?





Hieróglifos escritos em tinta vermelha encontrados por um robô no chão de uma câmara escondida na Grande Pirâmide do Egito seriam sinais numéricos, de acordo com uma análise matemática do monumento de 4.500 anos de idade.

Os construtores da pirâmide simplesmente teriam registrado o comprimento total da passagem sul da Câmara da Rainha: 121 côvados.
Múltiplos de 7, 9 e 11, ocorrem com frequência no projeto da Grande Pirâmide.

Mostrado ao mundo no mês passado, quando o primeiro relatório de um robô de exploração da Grande Pirâmide foi publicado no Annales du Service Des Antiquities de l'Egypte (ASAE), as imagens revelaram características que não são vistas por olhos humanos desde a construção do monumento.
Os pesquisadores ficaram particularmente intrigados por três figuras pintadas em vermelho ocre no chão de uma câmara escondida no final de um túnel no fundo da pirâmide.
"Há muitas perguntas sem resposta que esses desenhos levantam, porque escreveram nesse espaço? O que está escrito? porque não cortaram ao longo dessa linha?" disse Rob Richardson, o engenheiro que projetou o robô na Universidade de Leeds, sobre a descoberta.

Luca Miatello, um pesquisador independente que se especializou em matemática egípcia antiga, acredita que ele tem algumas respostas.
"As marcas são sinais hieráticos numéricos. Eles são lidos da direita para a esquerda, ou seja, 100, 20, 1. Os construtores simplesmente registraram o comprimento total da passagem: 121 côvados", disse Miatello ao Discovery News.


Hieróglifos escritos em tinta vermelha no chão de uma câmara escondida da Grande Pirâmide do Egito são sinais numéricos significando 100, 20 e 1

O côvado real, a unidade egípcia de medida utilizada na construção da pirâmide, era entre 52,3 e 52,5 cm (20,6-20,64 polegadas) de comprimento, e foi subdividido em sete palmos de quatro dedos cada um, uma medida de 28 partes.

A Grande Pirâmide, construída no planalto de Gizé, nos arredores do Cairo, tem sido motivo de boatos sobre passagens que levam a câmaras secretas.
Duas passagens, estendem-se desde a parte superior, ou "Câmara do Rei" e saem para o ar livre. Mas as duas inferiores, uma do lado sul e outra no lado norte, na chamada "Câmara da Rainha" desaparecem dentro das estruturas, aprofundando o mistério.

Os robôs anteriormente enviaram imagens destas passagens de 8 polegadas quadradas, indicando que ambas as passagens estão bloqueadas por uma porta de pedra. Estas pedras são aproximadamente equidistantes (63,6 metros) da Câmara da Rainha.

O novo robô, chamado Djedi foi capaz de subir no interior das paredes do poço, carregando uma câmera suficientemente pequena para caber através de um pequeno buraco em uma porta de pedra no final do túnel.

Isso deu aos pesquisadores uma visão clara para além da câmara. Foi nesse momento que a micro câmera enviou imagens das marcações de 4.500 anos de idade.
De acordo com Miatello, as marcas vermelhas e figuras foram feitas pelos trabalhadores durante a construção da pirâmide.

"Regras matemáticas precisas foram seguidas no projeto dos túneis", disse Miatello.
"Os sinais não são fáceis de ler, mas a leitura do Dr. Miatello é perfeitamente plausível", disse James P. Allen, Professor de Egiptologia de Wilbour e titular da cadeira de Estudos de Egiptologia e Oeste da Ásia da Universidade Brown.

Os pesquisadores do projeto Djedi esperam realizar uma análise adicional das marcações em agosto, quando o robô, equipado com uma câmera de alta resolução, retornará a pirâmide para pesquisas posteriores.


Tradução: Carlos de Castro



Fonte:
Discovery New

quinta-feira, 16 de junho de 2011

MITOLOGIA UNIVERSAL

MITO

s.m. (Do gr. mythos, palavra expressa, discurso, fábula, pelo b. lat. mythus.) 1. Relato ou narrativa de origem remota e significação simbólica, que tem como personagens deuses, seres  sobrenaturais,  fantasmas  coletivos,  etc.  2.  Narrativa  de  tempos  fabulosos  ou heróicos; lenda.

MITOLOGIA



s.f. (Do gr. mythologia.) 1. Estudo sistemático dos mitos. 2. Conjunto de mitos de uma determinada cultura transmitido pela tradição (oral ou escrita).
 
Presentes em todas as culturas, os Mitos situam-se entre a Razão e a Fé, mas são considerados sagrados. Os principais tipos de mito referem-se à origem dos deuses, do mundo e ao fim das coisas. Distinguem-se mitos que contam o nascimento dos deuses (Teogonia), mitos que contam a criação do mundo (Cosmogonia), mitos que explicam o destino do homem após a morte (Escatologia) e outros. Segundo alguns especialistas, os mitos encarnam fenômenos fundamentais  da  vida:  o  Amor,  a  Morte,  o  Tempo,  etc.,  e  certos  fenômenos,  como  as Florestas, as Tempestades, têm sempre um mesmo valor simbólico, seja qual for a civilização considerada.
 

 MITOS TEOGÔNICOS




Em muitas mitologias, delineiam-se hierarquias de deuses, cada uma com um ou mais deuses supremos.  A  supremacia  pode  ser  partilhada pelos  membros  de  um  casal,  ou  ser  atribuída simultaneamente a dois ou três deuses distintos. Pode  também  variar  com  o  tempo,  segundo circunstâncias  históricas,  como  por  exemplo  o domínio  de  um  povo  sobre  outro  ou  o predomínio  de  determinados  interesses  e atividades (de tipo agrícola, guerreiro etc.). São freqüentes  os  relatos  de  deuses  supremos,  por vezes identificados como criadores originais do mundo, que a seguir ficam inativos e deixam o governo a cargo de outro deus ou deuses. Em tais casos,  a  supremacia  significa  perfeição, autonomia,  onipotência  (relativa),  mas não unicidade,  como  é  o  caso  nas  religiões  monoteístas.  Na  Mitologia  Grega,  segundo  a apresentação de Homero, Zeus é o "pai dos deuses e dos homens". Essa expressão não significa que ele seja um deus criador, mas sim representante da figura do patriarca familiar. Os três grandes deuses escandinavos que ocupavam posição superior no grande templo de Uppsala eram Odin, Thor e Frey. Segundo o historiador das religiões Georges Dumézil, eles representavam as três funções da sociedade indo-européia: autoridade, poder e fecundidade. Odin era o deus da suprema autoridade cósmica, pai universal, rei dos deuses e senhor do Valhalla (a morada final dos guerreiros mortos em combate). Thor era o deus guerreiro e do trovão, correspondente ao deus védico Indra. É representado como um gigante de barba ruiva, e os mitos narram seus festejos pela vitória sobre as forças do caos. Durante o período das migrações  e  do  florescimento  dos  viquingues  (entre  o século  IX  e  XI  da  era  cristã, aproximadamente), em que predominava o ideal guerreiro, a primazia sobre os deuses era atribuída a Thor. Frey era o deus da fecundidade, representado com um falo de proporções exageradas. Governava a chuva e o brilho do sol e, conseqüentemente, o crescimento das plantas e as colheitas. No panteão hinduísta, há uma entidade divina tríplice - a Trimurti - formada pelos deuses Brahma, Vishnu e Shiva, criador, conservador e destruidor do universo, respectivamente. Em certos aspectos, Brahma é um deus personificado; em outros, é um princípio impessoal e infinito. Vishnu é o deus social por excelência e destruidor daqueles que ameaçam a boa ordem, enquanto Shiva representa a selvageria indomada. O interesse pelas próprias origens motivou a formação de mitos sobre os grandes ancestrais dos povos ou fundadores da sociedade. Na Mitologia Asteca, Huitzilopochtli conduziu seu povo até o lago Texcoco, onde se fundou a Cidade do México. A inimizade entre Tezcatlipoca e Quetzalcóatl representa a luta entre o povo asteca e o tolteca, e, quando este foi derrotado, o deus dos vencidos passou a figurar em lugar preeminente do panteão asteca. A tendência a incorporar os deuses dos povos conquistados é comum entre os povos politeístas. 


quarta-feira, 15 de junho de 2011

As faces de Tiradentes

 Fonte: Revista de História


  • Pôster do filme de Joaquim Pedro de Andrade 'Os inconfidentes'
    Não é de hoje que Tiradentes e sua turma da Inconfidência Mineira são convocados para estrelar filmes em que combatem o mal, personificado por algum elemento da coroa portuguesa. Desde a proclamação da República, eles se tornaram mártires do país e - um de seus papéis mais constante - foram parar no cinema. Joaquim José da Silva Xavier, junto ou separado dos demais inconfidentes, aparece em pelos menos quatro longas-metragens, segundo o IMDb, um dos maiores bancos de dados de cinema no mundo. Em breve, se depender do cineasta Marcelo Gomes, de “Cinema, urubus e aspirinas”, serão cinco.

    A primeira referência ao alferes no IMDb é em um curta de 1918, denominado “Tiradentes”, assinado por Alberto Botelho, “talvez o mais prolífico cineasta de sua época”, segundo as palavras de Fernão Ramos e Luiz Felipe Miranda, na “Enciclopédia do cinema brasileiro”. No livro, Botelho, junto com o irmão Paulino, é descrito como um dos pioneiros dos cinejornais brasileiros, e cinegrafista em diversas ficções. Nenhuma informação, porém, sobre o filme em si.

    Trinta anos depois, foi a vez de Joaquim José da Silva Xavier ser retratado em seu primeiro longa por uma das pioneiras do cinema nacional: Carmen Santos. “Inconfidência mineira” teve sua gestação bastante demorada e demorou dez anos para se concretizar, chegando às telas só em 1948. Trazia como o mais famoso inconfidente o ator Rodolfo Mayer, no que seria o seu principal papel na sua carreira no cinema, e a própria Carmen, como a poetisa Bárbara Heliodora, mulher de Alvarenga Peixoto. Segundo o site oficial de Mario Peixoto, o autor do cultuado “Limite” teria feito uma versão do roteiro, que não foi aproveitado, ficando o script a cargo de outro ícone dos primórdios de nossa cinematografia: Humberto Mauro, em parceria com o jornalista, dramaturgo, cronista e roteirista Henrique Pongetti. Cláudio Aguiar Almeida, em seu livro “O cinema como ‘agitador de almas’: Argila, uma cena do Estado Novo”, explica que a produção desse filme fazia parte de tipo de contrapartida por ocasição do apoio do governo à produtora de Carmen, Brasil Vita Film. Segundo Almeida explica, era obrigatória a exibição de um número predeterminado de longas-metragens por ano. Mas, em vez de optarem por uma produção de baixa qualidade, Carmen teria se unido a “grandes nomes” – conforme a revista “A cena muda” – “para prestigiar um filme de arte”. Os grandes nomes eram, além de Mauro e Pongetti, Roquette-Pinto e Affonso de Taunay. O filme era visto como capaz de educar o povo “em política e em história do Brasil”. Almeida reproduz a descrição de Carmen sobre Tiradentes: um “homem simples do povo” que “não tinha, é fato, a educação humanística de outros inconfidentes” e que vivia “em seu íntimo, de modo profundo e absoluto, a agonia imensa do seu povo”. Ainda segundo Almeida, Carmen “fazia coro com Getúlio” ao comparar Tiradentes a Jesus. Infelizmente, o filme foi queimado em um incêndio na produtora de Carmen.

    Fernando Torres, como Cláudio Manuel da Costa, nas filmagens do longa de 1972
    Em 1972, aparece a versão cinematográfica mais famosa da conjuração, em “Os inconfidentes”, de Joaquim Pedro de Andrade. Com diversas passagens líricas, em que os poetas que faziam parte do grupo conversam por meio de versos, ou com um embate entre todos os inconfidentes já presos, ou ainda na escolha de uma paleta de cores fortes, com roupas rosas, verdes, e cortes extravagantes, o longa que traz José Wilker no papel de revolucionário Tiradentes – bem ao gosto do Cinema Novo – diz ter apoiado seu roteiro nos documentos dos julgamentos e na produção literária da época. Um dos detalhes curiosos sobre essa produção é a opção sobre o destino de Cláudio Manuel da Costa, interpretado por Fernando Torres. Se até hoje a historiografia não é conclusiva sobre se o autor de "Vila Rica" cometeu suicídio ou foi morto – inclusive o perfil escrito recentemente pela historiadora e conselheira da RHBN Laura de Mello e Souza deixa a questão em aberto – Andrade opta por afirmar que Cláudio Manuel se matou. No longa, ele é o personagem mais taciturno e não aguenta a pressão de ver o movimento se desmanchar e a prisão dos seus integrantes. Tiradentes, ao contrário, é quase um Che Guevara, avant la lettre, que combate as injustiças de maneira romântica, não se importando com a sua própria vida, demonstrando a influência da época em que foi filmado no longa.

    Depois foi a vez de Geraldo Vetri, ainda na década de 1970, de rodar “Tiradentes, o mártir da independência”. Egresso da TV Tupi, ele usava atores com quem estava acostumado a trabalhar. Para o papel título, escolheu Adriano Reys. Há pouca informação sobre o longa, que é visto como uma obra menor no diretor, um sucesso na televisão.

    Humberto Martins faz Tiradentes, na versão de 1999 do mito



    Mais recentemente, em 1999, Oswaldo Caldeira levou para as telonas sua versão do mito em “Tiradentes”, com Humberto Martins como protagonista. O professor Renato Cordeiro Gomes em seu livro “Literatura, politica, cultura, 1994-2004” defende que Caldeira segue um caminho proposto por “Carlota Joaquina”, na chamada Retomada, fugindo do realismo e propondo um estranhamento entre imagens e som. Segundo Gomes, o filme se baseia numa pesquisa cuidadosa, mas toma liberdades como mostrar um Tiradentes dançando ao som de “Blowin’ in the wind”, de Bob Dylan. “O filme projeta um líder visionário e utópico, revolucionário inquieto, aventureiro, caçando bandidos e escravos fugitivos no meio da floresta, desbravando o interior, com a construção de estradas, pesquisando minérios e planejando um sistema de abastecimento de água para o Rio de Janeiro. Além de toda esse energia, o herói aparece também como grande amante”, escreve ele.

    Agora, o cineasta pernambucano Marcelo Gomes, que rodou com Karim Aïnouz “Viajo porque preciso, volto porque te amo” em 2009, recebeu a incumbência de levar novamente Tiradentes às telonas, por meio de um projeto sobre a vida das figuras mais relevantes na luta de emancipação da América Latina. Foram escolhidos: José Martí, em Cuba; José de San Martín, na Argentina; José Artigas, no Uruguai; Miguel Hidalgo y Costilla, no México; Bernardo O’Higgins, no Chile; Túpac Amaru, no Peru; Simón Bolívar, na Venezuela e Colômbia, além de Tiradentes, no Brasil. Os quatro primeiros já estão prontos, enquanto os demais estão em produção. Segundo a explicação do projeto, a proposta é retratar não somente seus feitos históricos, mas também “suas facetas mais humanas e suas ideologias de caráter libertador”.

    Marcelo Gomes tem a responsabilidade de filmar uma nova versão de Tiradentes
     “Decidi fazer um filme que primeiro destruísse essa ideia do herói Tiradentes e que construísse o Tiradentes como uma pessoa comum, um brasileiro comum querendo entender o que é ser brasileiro, querendo entender o que é viver essa vida de protético, onde ele abre a boca dos brasileiros e a partir da boca dos brasileiros, metaforicamente, ele entende melhor o que é esse processo de construção da identidade nacional e ao mesmo tempo, [trabalha] como alferes, como soldado da Coroa Portuguesa, servindo à Coroa, ao colonizador, ao opressor”, contou por e-mail Marcelo Gomes, que quer explorar essa dualidade na personalidade de Joaquim José da Silva Xavier. Gomes acrescenta que há muita controvérsia sobre o personagem.  
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  • “Havia pessoas que diziam que ele era uma pessoa simples, tranquila, que falava pouco, muito recatado. Outras pessoas diziam que ele era um fanfarrão, que falava alto, que gritava muito, tinha aparência de louco, muito cachaceiro e mulherengo. A gente leu de tudo. Depois dessa leitura, decidimos construir o nosso Tiradentes. E o nosso Tiradentes era essencialmente bem brasileiro. Ele tinha esse elemento de humor muito grande, peculiar ao brasileiro. Ele era uma pessoa que gosta de festas, que é outra característica nossa”, escreveu ele, afirmando que ao final vai submeter o roteiro pronto a um historiador para fazer uma checagem histórica.

    Gomes explica que evitará qualquer santificação de Tiradentes, defendendo que o que mais lhe interessa é a construção da consciência política do personagem, e a ambiguidade na personalidade profissional e pessoal do alferes-protético, e todas as suas consequências. A produção deve fazer um recorte histórico antes da conjuração e ter como pano de fundo a enorme confluência de pessoas para as Minas Gerais. O cineasta conta também que, por causa dessa escolha, nem será utilizado a alcunha de Tiradentes, apenas a de Joaquim José. O diretor fala ainda que pretende impedir a ideologização de Tiradentes. Na sua juventude, ele cita, o principal personagem da inconfidência era muito associado à direita pelos militares.

    “Com esse filme, restaurando o personagem comum e nenhum herói, eu acho que é uma forma de a gente fazer as pazes com esse herói”, conclui.