quinta-feira, 23 de maio de 2013

Filosofia grega para iniciantes

 Filosofia grega para iniciantes
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Argumentos socráticos
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Sócrates (no alto, à direita) adorava discutir qualquer coisa, com qualquer um. Na parte inferior do quadro, a filósofa neoplatônica Hipatia de Alexandria e o pré-socrático Parmênides de Eléia.

Detalhe da Escola de Atenas, pintura de Raffaelo Sanzio 1483/1520). Data: 1511. Roma, Palácio do Vaticano. © Wikimedia Commons.
A Filosofia, entendida como uma reflexão crítica a respeito de tudo o que se relaciona com a existência do homem, nasceu na Grécia Antiga. A palavra "filosofia" é, inclusive, de origem grega e vem de phílos, "amigo", e sophía, "sabedoria".
É costume homenagear Sócrates, filósofo que viveu entre 469 e 399 a.C., chamando os pensadores que o antecederam de filósofos pré-socráticos.
Os pré-socráticos
A Filosofia Grega caracterizou-se, até o advento de Sócrates, pelas idéias a respeito da natureza e pelo desenvolvimento das técnicas de argumentação filosófica. Os primeiros filósofos, devido à preocupação de explicar racionalmente o mundo natural, são também chamados de Filósofos da Natureza ou de físicos (do gregophýsis, "natureza").
Eis uma pequena lista dos pré-socráticos mais importantes: Tales de Mileto (625-547a.C.), Anaxímenes de Mileto (585-525 a.C.), Pitágoras de Samos (570-495 a.C.), Xenófanes de Cólofon (570-475 a.C.), Heráclito de Éfeso (c. 500 a.C.), Parmênides de Eléia (c. 515 a.C.), Empédocles de Acragás (492-432 a.C.) e Demócrito de Abdera(460-370? a.C.).
Sócrates, Platão e Aristóteles
No final do século V a.C. o interesse primordial dos filósofos desviou-se do mundo natural para a compreensão do homem, do seu comportamento e de sua moral.
Sócrates (469-399 a.C.), um dos maiores pensadores de todos os tempos, pretendia nada saber e dizia que todos já possuíam o conhecimento do que era correto dentro de si. Para trazer esse conhecimento à tona ele fazia perguntas bem dirigidas e questionava sistematicamente seus interlocutores afim de que a sabedoria aflorasse. A suprema sabedoria seria, aparentemente, o conhecimento do bem, ou pelo menos o reconhecimento honesto da própria ignorância.
Platão (429-347 a.C.), admirador e discípulo de Sócrates, fundou a Academia de Atenas, famosa escola de Filosofia em que mestre e discípulos viviam em comum, debatendo constantemente os mais variados temas. Ao lado de idéias fundamentalmente teóricas, como a contraposição das aparências à realidade, a crença na existência de uma alma eterna e na vida após a morte, Platão propunha, de forma eminentemente prática, que a cidade ideal deveria ser governada por umrei-filósofo.
Aristóteles (384-322 a.C.) foi o mais importante dos discípulos de Platão. Ao contrário de seu mestre, mais preocupado com questões transcedentais, Aristóteles acreditava que o conhecimento devia ser procurado no mundo material e real. Fundou, para isso, o Liceu de Atenas, escola em que ele e seus discípulos dedicaram suas vidas à discussão filosófica, estudo, ensino e pesquisas em larga escala, abrangendo praticamente todo o conhecimento da época. A lógica, uma das mais importantes disciplinas filosóficas, foi estabelecida por Aristóteles.
As escolas helenísticas
Com a decadência política das cidades gregas e o apogeu dos reinos helenísticos o homem, antes importante para suacidade-estadotornou-se apenas a minúscula parte de enormes impérios. As principais escolas filosóficas do Período Helenístico passaram então a dar mais atenção à busca da felicidade pessoal e, além da lógica e das tradicionais explicações sobre a natureza do mundo, forneceram a seus adeptos um conjunto de preceitos para ordenar e dirigir a vida.
ceticismo, em que se destacou Pírron de Élis (365-275 a.C.), preconizava que não é possível o entendimento através dos sentidos humanos e pregava completa indiferença diante de todas as coisas. O epicurismo, desenvolvido por Epicuro(341-270 a.C.), pregava a felicidade humana através do exercício do livre arbítrio e da idéia de que as ações humanas não eram determinadas pelos deuses. O estoicismo, fundado por Zênon de Cítion (333-262 a.C.) e desenvolvido por Crisipo(280-207 a.C.), ensinava que o único bem verdadeiro é a virtude, e o único mal verdeiro, a fraqueza moral; e, ainda, que o prazer consiste em viver unicamente de acordo com a razão, mostrando indiferença e imperturbabilidade diante de tudo o mais.
O estoicimo foi a mais difundida e influente das doutrinas helenísticas. Em Roma, teve adeptos ilustres como Sêneca (4-65d.C.) e o imperador Marco Aurélio (121-180 d.C.).
O neoplatonismo
Desenvolvido por Plotino (205-270 d.C.) no século III d.C., no início da decadência do Império Romano, o neoplatonismo foi a última contribuição do pensamento grego à Filosofia.
Plotino reuniu diversos conceitos imaginados por Platão (429-347 a.C.) e refundiu-os numa doutrina profundamente espiritual e mística. Ensinava que era necessário purificar a alma abandonando o mundo material — manifestação 'inferior' de uma entidade única, absoluta e eterna, o 'Bem' (também chamado de 'Uno') —, para que a alma pudesse ascender e voltar a fazer parte dessa entidade imaterial, acessível apenas através da 'razão pura'.
Finalmente, dois séculos depois que o cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano, sob o Imperador Constantino I (273-337 d.C.), a pressão dos bispos cristãos levou o Imperador Justiniano (482-565 d.C.) a fechar a escola neoplatônica de Atenas, um dos últimos baluartes do pensamento grego em 529 a.C..
O ano de 529 d.C. assinala, conforme a tradição, o fim "físico" da Filosofia Grega. Justiniano, porém, chegou tarde demais: o cristianismo já estava impregnado dos conceitos filosóficos platônicos e neoplatônicos e a quase totalidade da Filosofia Ocidental moderna é, em essência, a própria Filosofia Grega...

Fonte: http://greciantiga.org

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